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O primeiro

Festival Garimpo - Teatro Marília, A Obra, Lapa Multishow, BH, 27 a 29/09/07

por Braulio Lorentz (texto e fotos)

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O Garimpo foi o primeiro festival de música independente de Belo Horizonte (sem ser de surf music) desta década. Não tem como, tal qual um pai diante do filho primogênito, dar uma passada de mão na cabeça, mas ao mesmo tempo manter uma certa preocupação em não mimar a criança.

Dia 27

Wander Wildner e Thuderbird no Teatro Marília

O show já começou dando pau quando Sérgio Serra, do Ultrage a Rigor, – que acompanha Wildner nesta empreitada de “Sub versões” – foi substituído por Luís Thunderbird. O ex-VJ veio, então, para o Garimpo, em vez de ir para o VMB, que aconteceu na mesma hora de sua apresentação. Enquanto Wildner contava até trinta diante de cada pepino técnico, Thunderbird chutava o balde. O cara chegou a chamar o dono do bar A Obra e produtor do evento, Claudão, para reclamar.

Mesmo com microfonia e falha de equipamentos, Wildner se virou. No repertório, versões em português de músicas dos Ramones ("Eu acredito em milagres"), Beatles ("Trabalho duro") e de outros fizeram com que o berro "Toca Wander Wildner!" tivesse certo sentido. De sua obra, o destaque foi a canção que fechou o concerto, "Jesus Voltará", com muita improvisação e introdução pastoral. "Aproveitando que estamos no Marista... Cada Marista tem o Chevrolet que merece. Só Jesus salva", gritou o cantor gaúcho, em alusão aos persistentes problemas técnicos. Na letra de "Jesus Voltará" incluiu novas frases como "Vou conhecer O Bar / Tomar todas as cervejas / do Claudão / As mais caras" e "Porque numa noite dessas / Só o Claudão é a salvação". Os maristas gostaram. Eu nem tanto (o show é engraçadinho, mas canções desnudas carecem de talento). Aleluia.


Acústico Wander Wildner (desplugar pra fugir dos paus técnicos)

Dead Lover's Twisted Heart n’A Obra

Ainda curtindo a ressaca do Jambolada, primeiro festival da banda, o quarteto tocou em casa. Na primeira quinta de 2007 a banda fez sua estréia n’A Obra. A participação no Garimpo corresponde ao sexto show da banda no mais quente reduto roqueiro de BH. A novidade do repertório, do tipo certo para ser embalado e exportado pra Europa, foi a volta do maior hit em potencial dos meninos e da menina. A chicletuda “Where I Am”, com bateria eletrônica, é cada vez mais a predileta da casa.

Porcas Borboletas n’A Obra

Há uns bons três anos a Cachorro Grande carrega a tiracolo o título de “melhor show do Brasil”. O que Ivete significa para a massa de abadás, o quinteto gaúcho representa para o público sem abadás (e que não tem saco pros emos). Se continuar rodando festivais e caso lance um disco tão bom quanto as músicas que compõem o atual show, os cachorros podem dar lugar aos porcas. Rever o show da banda de Uberlândia me faz rir de piada repetida. Pior que isso: rir da iminência da piada repetida. É como ver Chaves e dar risada porque você sabe que o Quico vai falar algo dali a dois minutos. Antes de a cena acontecer, você começa a rir. “Lembrancinha”, contudo, não é melhor do que o episódio em que garoto das bochechas de buldogue velho engole um rádio (enquanto digito seguro as risadas, juro).

Dia 28

Roger Moore e Paralaxe n’A Obra

Roger Moore me fez dançar, e quem me conhece sabe que isso é o melhor elogio que posso fazer para alguém que tem justamente esse objetivo. Paralaxe é um ótimo show para se ver de olhos fechados. Desse jeito a gente presta atenção nas músicas bacanas e nas letras com amontoado de referências (o encarte do CD da banda deveria ter notas gigantes de rodapé). Sem fechar os olhos, a performance “tomei um choque e estou passando mal” do vocalista Fred HC vai te deixar com vergonha de falar que gostou. Por mais que as peças do som da banda sejam tão bem encaixadinhas.

dia 29: Lapa Multishow

U.D.R.

A conversa no Google Talk um dia após o show no palco secundário do Garimpo, montado no mezanino do Lapa, é sobre a ausência do maior hit da banda no show:

eu: nao rolou bonde da orgia de travecos no garimpo ne? :P

U.D.R. 666: nem rolou :/
mas é até legali sso
um show sem ana julia

eu: ahan
eu meio que ouvi
(estava incrivelmente dificil ouvir os vocais)

U.D.R. 666: tava mesmo?
tava rolando um retorno legal pra gente

Não houve tempo para que o duo de BH tocasse “Bonde da orgia de travecos”. E, no sábado de Garimpo, eu estava mais pra Thunderbird do que pra Wander Wildner: por isso não vi o show do U.D.R. inteiro.

Monno

“A gente já fez muitos amigos tocando Pedro The Lion. Mas hoje vamos tocar uma música de outra banda.” Assim Bruno Miari, vocalista e guitarrista do monno, anunciou a versão de “Grand Hotel”, do Kid Abelha, alçada ao repertório da banda desde o show no projeto Música Independente (especial gravado para a Rede Minas e rádio Inconfidência). "Estamos pra gravar e mandar pra Toller. Imagina se ela desse uma canja", comentou Bruno após o show no Garimpo. Imagino, sim. Ficaria ótimo. Com ou sem Paula, “Um dia um caminhão atropelou a paixão” continua sendo uma das melhores frases em canções pop roqueiras. E o arranjo do monno para a música do Kid é de primeira.


Hélio Flanders não faz isto.

Vanguart

O fim do show veio com “Last Train”, oferecida aos integrantes do Dead Lover’s. No palco, o Vanguart ganhou uma música de brinde da organização e teve tempo para tocar “Enquanto isso na lanchonete”, que não havia aparecido no set do Jambolada. O quinteto matogrosense implorou – com bom-humor – para que a platéia comprasse seus discos encartados na revista Outracoisa e vendidos na barraquinha do evento.

Montage

“Nós somos a merda do Montage, da merda de Fortaleza.” Merda. Era assim que eu queria anunciar o Montage, mas o Daniel Peixoto, vocalista da banda, chegou primeiro. Daniel tirou peças de roupa até ficar de bermurdinha e corpete. Mostrou metade da bunda, cuspiu água no público e não descartou a já tradicional parte do show em que enfia o microfone na parte traseira da bermuda. A banda cearense abriu com "I Trust My Dealer" e tocou ainda “Raio de Fogo”.

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