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Festival Indie Rock 2009

Fundição Progresso, Rio de Janeiro, 13/11/09

por Augusto Barros

Fotos: Augusto Barros

Sabe o Indie Rock Festival? Aquele que te prometeu Editors, Broken Social Scene, Yo La Tengo e qualquer banda que pudesse gerar algum boato? Pois é, ele está de volta (a produção promete torná-lo anual e com mais bandas). Dessa vez, o festival levou para a Fundição Progresso, no Rio de Janeiro, a psicodelia do Super Furry Animals e o gipsy-punk do Gogol Bordello, além do rock-chucrute-campestre do El Mato a Un Policia Motorizado e dos novatos paulistanos do Holger.

Noite de sexta e o clima era bom, mesmo com o calor carioca. Confesso que não levei fé na pontualidade local e cheguei na Fundição Progresso uma hora após o horário previsto para a abertura dos portões. Engano meu, os portões não só já estavam abertos como dava para acompanhar o início de um animado show do Holger. Não os levava muito a sério, mas tenho que admitir que os caras fazem um bom show, animado, com cara de show de rock. Se o público era pequeno, pelo menos era bastante festivo com um final contagiante, com parte da banda pulando para a platéia (com a colaboração deste que escreve) e encerrando a festa ‘na geral’ da Fundição Progresso.


Os bagunceiros do Holger

Em seguida, foi a vez dos argentinos do El Mato a Un Policia Motorizado. Em tempos de pessoas magérrimas em penteados milimetricamente desalinhados, dá gosto ver uma banda capitaneada por alguém como Santiago Motorizado. O vocalista é uma espécie concisa de Cedric Bixler-Zavala (aquele do Mars Volta) com alguns quilos a mais, desalinhado e vestido de forma tão comum que, estivesse do outro lado da platéia, seria ignorado pelos nossos padrões cool (ou preconceito, se você preferir). Com um público ainda pequeno, porém cativo, a banda mostrou maturidade, simpatia e aturou até mesmo a invasão de palco dos rapazes dos Holger, já encarnando o espírito do arroz de festa. Desfecho lindo em “Noche de los muertos”, que encerra uma trilogia sobre nascimento, amadurecimento e morte. Sai a cabeleira motorizada e entram os peludos.


Super Furry à paisana

Apesar do álbum novo a tiracolo, o quinteto galês soube deixar um pouco de lado suas músicas mais recentes, porém menos conhecidas, e abusou de faixas de seus melhores álbuns (Rings Around The World, Guerrilla e Radiator). Uma sequência espetacular com “Rings Around the World”, “Golden Retrevier”, “Hello Sunshine” e “Juxtaposed with U” conquistou o público de cara. Gruff Rhys é um caso a parte, simpático, brincando com vários cartazes, pedindo aplauso e agradecendo: um pouco de originalidade em vez dos já batidos agradecimentos cheios de sotaque. Ápice do show foi a participação de Nick McCarthy, do Franz Ferdinand. Não, o guitarrista da turma do Kapranos não subiu ao palco em pessoa, mas fez uma participação muito simpática em cartaz, na música “Inaugural Trams”. Foram-se os uniformes dos peludos (eles assassinaram essa fase em um show em Londres), mas a banda ainda continua no ponto.


Iggy Bordello

Mas o que grande parte esperava era o Gogol Bordello. Pouco mais de um ano depois depois do show no Tim Festival (show em que eu sofri por não ter ido), a trupe multicultural voltava ao Rio já quase habituada à cidade. Já de cara levantando o público com “Ultimate”, “Not a Crime” e “Wonderlust King”. Eugene Hutz é a figura que esbanja simpatia e conta com uma banda festiva, solta. Pedro Erazo, percussionista e vocalista equatoriano, é a formiga atômica e não pára quieto. A casa foi abaixo com Eugene cantando em português e com “Starting Wearing Purple”, da trilha sonora do filme “Uma Vida Iluminada”. Como diria o refrão da música, a platéia realmente perdeu a sanidade. Bis com direito a grupo cigano, música do Zé Ramalho e sambão gipsy. E quem vai reclamar?

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