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A eficácia do Placebo

Placebo ao vivo em Belo Horizonte, MG - Chevrolet Hall 16/04/10

por Fernando Guerra

Fotos: Thiago Costoli

Quando os integrantes do Placebo entraram no palco do Chevrolet Hall, exatamente às 21:56 (4 minutos antes do horário divulgado) do último dia 16 para abrir o show com “For What It’s Worth”, girei a cabeça ao meu redor para calcular o volume da platéia, que não tinha, até o momento, esgotado o primeiro lote dos ingressos. A sensação foi de que a música era bombante demais para os gatos pingados que estavam no local (ainda que pulando bastante) e tive um déjà vu dum show que rolou há uns três anos, com o Cardigans no palco. Isso pra não falar de outros tantos W.O.s do público mineiro. Até o momento, a presença da banda, pela primeira vez em BH, não estava surtindo efeito.


Procurando a plateia

Aumento da frequência cardíaca e respiratória

Mas o grupo não desistia. No mesmo ritmo da anterior e dando sequência ao primeiro bloco de músicas do último CD (Battle For The Sun, 2009), “Ashtray Heart” começa com o refrão: “cenicero, cenicero!” ("cinzeiro" em espanhol) na voz do baixista sueco Stefan Olsdal e foi cantado em massa, dando a impressão de que tinha bem mais gente ali. A empolgação foi contida em seguida pelos gemidos do vocalista e guitarrista Brian Molko em “Battle for the Sun”, música menos dançante até o momento, que fechava esse primeiro bloco de novidades.

Enquanto “Soulmates” tocava ao fundo e o telão criava uma atmosfera de videoclipe com imagens em cortes frenéticos, um litro e meio de chá de cranberry que eu tinha tomado no restaurante ali do lado fizeram seu efeito e tive que dar uma escapadinha. Para achar o caminho mais rápido e curto, refiz o exercício com a surpresa de encontrar a casa cheia e o banheiro menos acessível.


Em um videoclipe

Desviando de todos os obstáculos humanos, cumpri o trajeto de volta a tempo de pegar um dos raros momentos em que Brian se dirigiu à platéia (com exceção, é claro, de um “oh-breegadow” aqui e ali). O belga andrógino contou, num momento-divã, sobre a sua infância, quando ele ia à igreja e as pessoas ficavam possuídas (por ninguém menos que Jesus) e começavam a falar em outras línguas, dando início a “Speak in Tongues” com os gritos da massa, enquanto eu me perguntava: “De onde tinha saído tanta gente?”


Olha eu ali do lado direito da pista, com o boné azul

Produção e liberação de adrenalina na circulação sanguínea

Se a visão geral tinha me impressionado, os primeiros acordes de “Every You Every Me”, talvez o maior hit da banda, levantaram o público, que pulou e cantou junto. A energia no palco era muito forte. Além do Brian e Stefan comandando na frente, na linha de fundo estavam a loiríssima Fiona Brice, com um violino elétrico estiloso (é a primeira vez que a banda carrega um violino na turnê), os guitarristas Nick Gravillovich e Bill Lloyd, além do novato Steve Forrest na bateria, que entrou para gravar o último álbum e é uma das prováveis razões para a predominância de canções mais novas no setlist.


Drum & drama

O segundo bloco de músicas do Battle For The Sun foi mais longo e coincidiu com o segundo momento de diálogo do Brian com os mineiros. “Isso é um serviço de utilidade pública. Recomendamos a todos que respirem debaixo d’água”. “Breathe Underwater”, “Julien”, “Never Ending Why”, “Bright Lights” e “Devil in the Details” prepararam o público para o que ainda estava por vir e certamente deixaram o baterista mais confiante na sua função.

Contração dos vasos sanguíneos


Não existe drama sem violino

Após a morna “Meds”, “Song to Say Goodbye” abre uma sequência de músicas para esgotar o que sobrou da energia e das cordas vocais do público. “Special K” (ver vídeo abaixo) e “Bitter End” encerraram o bloco, com mineiros exauridos na pista, um palco vazio e uma bailarina girando e pagando peitinho no telão. É a encenação do bis que todo mundo já tá acostumado.

De volta, o Placebo toca “Trigger Happy”, talvez a mais sombria da noite, graças ao violino de Fiona no fundo, “Infra-red” e “Taste in Men”, conhecidas dos fãs e com um ritmo mais tranquilo, como um adeus suave e nada amargo da banda. O público que compareceu, ainda que com atraso, foi presenteado com um show que, inicialmente sem efeito, curou a inércia local.

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