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Esperança nacional

Transmissor ao vivo no Teatro Oi Futuro Klauss Vianna, BH, 12/05/10

por Aline Dacar (texto e fotos)

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Fotos:

Fiquei sabendo do show do Transmissor pelo Twitter. Alívio: depois de descobrir a banda na web e ouvir o seu primeiro e único álbum, Sociedade do Crivo Mútuo, freneticamente, estava ansiosa pela performance ao vivo. A apresentação no Teatro Klauss Vianna, no Espaço Oi Futuro, seria perfeita.

A banda, formada por Thiago Correa, Leonardo Marques, Henrique Matheus, Jennifer de Souza e Bruno Santos, tocava naquele teatro pela primeira vez. Como percebi ao longo da apresentação, o grupo estranhava a timidez da platéia. Acostumados a tocar em bares da capital mineira, os shows do Transmissor têm participação ativa do público. Mas o teatro tinha seu charme, isso era inegável.

A apresentação começou intimista. No palco, apenas instrumentos e os cinco integrantes da banda. Nenhum outro atributo decorava o espaço, o que fazia com que o foco da platéia se intensificasse ainda mais em cada detalhe da performance dos artistas.


O palco intimista

A balada “Janela” inaugurou o repertório da noite. A imponência do teatro, com suas cadeiras vermelhas elegantes, constrangiam os fãs mais entusiasmados. Limitávamos-nos a uma dublagem discreta durante as músicas. No palco, a banda parecia igualmente acanhada. Tudo bem, era só o começo do show.

Depois de “Nada vai mudar”, ouvimos a primeira música inédita, que deve compor o próximo CD da banda, Nacional. “Para que pensar em voltar atrás se nós queremos mais,” dizia o refrão da canção, de autoria de Henrique, ainda sem nome. Não era nada muito diferente do trabalho mostrado no primeiro álbum: tinha emoção, delicadeza e cativava sutilmente os ouvidos.

“Poema da batalha” trazia um tom diferente, marcado por violão, com um vocal forte de Thiago Correa. A banda já se reconhecia no palco, mas nós na platéia continuávamos bem grudados à poltrona. Em “Primeiro de Agosto” houve um coro discreto. O gelo começava a se quebrar, estávamos vencendo o teatro. Mas “Dez segundos” era melancólica demais para nos dar força, a melodia era como um pedido de colo, indiferente ao estado emocional de quem ouvia. Bela interpretação. A coragem veio com o incentivo dos integrantes da banda, que pediram palmas no início de “Vem a chuva”. O público acatou com entusiasmo.

No final de “Aquática”, me impressionei com a sintonia silenciosa entre os músicos. Depois de “Colorida”, mais músicas inéditas. “Outra ela” é marcada por destaque do violão e a voz grave inconfundível de Jennifer Souza, que de tão grave às vezes torna difícil entender a letra.


Thiago no teclado

Thiago fez um intervalo para explicar a demora do segundo CD, que foi produzido num “retiro”, segundo ele. Falou de muita alegria, decepções, superprodução e descoberta, e encerrou com um obrigado tímido. Seguiram com outra música inédita toda acompanha por assobios, “Só se for domingo" é mesmo uma delícia de ouvir. A platéia entrou na onda, já bem mais a vontade.

Quando começávamos a nos sentir em casa, “Jeninha” veio fechar a apresentação. Essa última canção foi iniciada e encerrada com um dueto entre banda e palmas elétricas da platéia, libertando a todos. Thiago Correa saltou do palco e veio cantar entre nós. Assobios, palmas e muito “lalala”. Frenesi. A banda saiu, mal se despedindo. O coro pedindo “mais um” veio a cavalo. Era puro charme dos transmissores, voltaram logo para tocar a derradeira “Eu e você.” Agora sim, acabou. Muitas palmas, assovios e largos sorrisos simpáticos no palco.

Sobre o nome do novo CD, Nacional, Henrique Matheus, guitarrista, falou em conversa após o show: “Não tem uma explicação literal, mas talvez porque estamos escutando muita coisa de MPB antiga, redescobrindo a música nacional, nas influências, claro.” A novidade está na sonoridade, alguns instrumentos inéditos foram agregados, e apresentados no show. “Tem um toque de Silvio Santos”, ri Thiago Correa. Eu não percebi, mas ele me garantiu que ouvindo o novo CD perceberei. “Vai sair até o fim do ano, sem falta”, afirmou, com notável entusiasmo.

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