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Curitiba Rock festival 2005

Jogo dos sete erros

por Braulio Lorentz

Fotos: Divulgação

Claro que existiram acertos, mas a brincadeira proposta aqui é outra. Nos dias 24 e 25 de setembro, muitos erros se juntaram às muitas bandas (com destaque para a trinca Weezer, Raveonettes e Mercury Rev) e aos muitos indies que visitaram a capital paranaense. Comecemos com o jogo.


Rivers, por favor, onde você comprou esse casaquinho?

Organização

1 - O toco

Leela, Lobão e Hurtmold estiveram na lista de atrações confirmadas e pularam fora. Leela preferiu abrir a turnê da Avril Lavigne. Lobão teve o tímpano esquerdo rompido depois dos pontapés que recebeu de um contratante de shows. Fechando a conta, os paulistas do Hurtmold preferiram não tocar, em vez de tocar sem passagem de som.

2 - O planejamento

Por causa do sucesso em 2004, com Pixies e tudo mais, a organização do CRF 2005 se empolgou. O alto preço do ingresso (140 reais para os dois dias, “preço promocional”) e a proximidade de outros festivais fizeram das vendas um fiasco. A saída foi mudar o evento da Pedreira Paulo Leminski, que abriga 10 mil pessoas, para o Curitiba Master Hall, com capacidade para 3 mil e 500.

3 - O nome

Curitiba Pop Festival era o nome do evento em seus dois primeiros anos de vida, 2003 e 2004. Persuadidos pelos patrocinadores, trocaram para Curitiba Rock Festival. Mas o correto seria Curitiba Indie Festival.

4 - O sete


Pop Rock Brasil 2006 neles!

A banda carioca do baterista ex-Engenheiros é um erro ambulante. Mas o grande erro foi incluí-la no CRF. Rolou cover de Plebe Rude (“Até quando esperar”), recorde de pessoas sentadas no chão e gritos constrangedores de “Viva o rock nacional”. O sete é atração para festivais de pop rock. Não era o caso. Só nos faltou um diretor da Brasil Telecom ser o produtor de uma banda de pagode e colocá-la para tocar.

5 - O dia errado


Amém!

Cidadão Instigado era a banda certa, no dia errado. Palmas e balançadas assertivas de cabeça foram trocadas por berros como “Zé Ramalho Indie”, “Radiohead Sertanejo” e “Pink Floyd do Nordeste”. As rotulações não são tão descabidas, mas tudo fazia crer na maior compatibilidade entre a banda cearense e o dia mais experimental. No domingo fechado pelo Mercury Rev tudo poderia ter mais sentido. Principalmente para a banda do vocalista e guitarrista Fernando Catatau (foto).

6 - O bar

Você já ouviu falar de uma cerveja chamada Conti Bier? Quem foi ao CRF já.

7 - O guarda-volumes

Vamos combinar o seguinte: Você paga 140 reais por um ingresso promocional. Sai da sua cidade, com a sua mochila. Chega ao local e com felicidade avista o guarda-volumes. Não é o fato de ser pão duro, é o fato de cobrar cinco reais para se ocupar vinte centímetros quadrados por algumas horas!

Bandas

1 - A geografia


Indie pop para indie rockers

O erro do baterista na apresentação dos pernambucanos Rádio de Outono me fez piscar o ouvido: “Estamos chegando aos poucos aqui no Sudeste”. Mas tudo bem, foi compensado por peraltices como a versão do “Tema dos Happy Tree Friends”. A diversão veio também em forma de balinhas distribuídas no final do show e de bugigangas usadas para emitir os sons que enfeitaram a canção “Eu sou o tao”. As guloseimas e os brinquedinhos saíram aos montes de uma sacola da vocalista Bárbara Jones (foto).

2 - A falta de noção

“Eu odeio bandas com muitos músicos. Eu não posso com músicos, por isso só ele ali me acompanha”. A frase da cearense Karine Alexandrino foi dita enquanto ela apontava para seu DJ. De brinde veio a afetação da personagem “Producta”, encarnada por Alexandrino, e os inúmeros berros “aumenta a minha voz, aumenta minha voz”. Perdi a conta quando estava no 25. A moça de babydoll branco tocou antes da ótima Móveis Coloniais de Acaju, banda de Brasília formada por nove músicos.

3 - A inexperiência

Parecer com Legião Urbana e ser legal foi a grande proeza dos curitibanos da Charme Chulo. O vocalista estava aparentemente nervoso, ou talvez ele seja mesmo travado daquela forma. Abriram com “Ai de você, José!” e tocaram algumas canções com a presença da viola caipira.

4 - A paulistagem


Sim, ela é aquela mulher dos intervalos da MTV

Barulho e poucas palavras repetidas à exaustão com um tremendo sotaque paulista foram as principais características do Biônica. “A mãe do bambi morreu” e “A mãe do dumbo foi presa” foram as duas melhores, entre tantas. No fim, a vocalista segurou uma placa com a palavra “Porre” escrita. Emblemática.

5 - A celebração indie

O Weezer esteve com a platéia na mão e isso é assunto para outro texto. A banda de Rivers Cuomo também errou. Não tocaram “Keep Fishing”, chamaram um moleque da platéia para estragar “Undone – The Sweater Song” e apresentaram uma versão desnecessária de “Big Me”, do Foo Fighters, banda parceira na turnê pelos Estados Unidos.

6 - A sacanagem


Extravasa mesmo! No próximo minuto tu vais saber que teu show encolherá...

O Ultramen foi obrigado a fazer um pocket show e tocou apenas sete músicas por causa do atraso nas apresentações. “Vamos fazer aquela mesmo então”, disse o emputecido vocalista Tonho Crocco (foto), ao saber que seu show seria castrado. “Aquela mesmo” era “Dívida”, música presente no Acústico MTV Bandas Gaúchas.

7 - A falta de vozes e de legendas no telão


Ai, ai

“My Boyfriend’s Back”, música da banda dinamarquesa Raveonettes, já é conhecida no Orkut como “My Boyfriend’s PlayBack”. Não é a toa. Onde estavam todas aquelas vozes que apareceram do além? Nada que atrapalhasse o bom show, sem o mesmo barulho das performances em estúdio. Menos fácil e mais bonito foi o show do Mercury Rev, com muitas músicas do CD mais recente, Secret Migration. Desde o começo, o integrante da banda que mais chamou a atenção foi o telão. Ele despejou uma seqüência fulminante de capas de discos e outras imagens presentes no DNA da banda. Dentre as referências, a mais aplaudida foi o Velvet Underground, também citada pela vocalista, guitarrista e loira charmosa Sharin Foo, do Raveonettes (foto).

Fim de jogo

Foram muitos os erros e, claro, eu também errei. Confesso não ter acompanhado com atenção os shows de Suite Minimal, Black Maria, Los Diaños e Patife Band. Por isso não posso confirmar os erros deles. Outro que não teve seu erro apontado foi o Acabou La Tequila. O mau humor giratório não conseguiu acertá-los.

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