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Veja o filme, leia o livro e reze 10 pai-nosso

O Código Da Vinci - a polêmica

por Daniel Oliveira

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Literatura e cinema são pai e filho muito próximos. Ou talvez mais que isso, dois irmãos siameses. Sempre que o segundo anda sem idéias (como nos últimos tempos), sai correndo atrás do primeiro em busca de ajuda.

Quando uma obra vem temperada com polêmica, então, uhn! Mídia espontânea, milhões de curiosos, o boca-a-boca faz do livro um best seller, opositores do material criticam e deixam o assunto em pauta constantemente...os olhinhos dos produtores hollywoodianos brilham! Esfregada de mãos, expressão gananciosa e os milhões de leitores de obras como O Código da Vinci viram bilhões de dólares nos bolsos de alguns espertinhos.

Às vezes, o filme vale a pena, outras, nem tanto. O Pílula faz um top 5 – hábito advindo de um outro livro, só que nem um pouco polêmico – de obras literárias controversas adaptadas para o cinema, para você garimpar nos sebos e locadoras.


Lolita

Livro de: Vladimir Nabokov

Filme de: Stanley Kubrick

Por que era polêmico? Menina de 16 anos seduz um escritor de meia-idade.


“How'ya doin'?”

Nos anos sessenta, a revolução sexual estava começando. Mas, a alguns olhos mais conservadores, não era para tanto. Nabokov escreveu uma história que, se já não era “convencional” no papel, imagina em película – e filmado por um diretor sem concessões, o grande Stanley Kubrick.

O cineasta lançou a obra em 1962, com a quase estreante Sue Lyon no papel-título. O talento e a sutileza aguçante de Kubrick fizeram um filme inesquecível que, junto com o livro, eternizaram a expressão lolita. Infelizmente, Sue Lyon teve problemas com depressão e escândalos que não permitiram que sua carreira se estabelecesse mais firmemente após o longa.

Em 1997, Lolita teve uma infeliz refilmagem por Adrian Lyne (Infidelidade), com Jeremy Irons e Dominic Swain – outra novata. Procure o original, é bem melhor.


Jesus Cristo Superstar

Livro de: Tim Rice

Filme de: Norman Jewison

Por que era polêmico? Conta a vida de Cristo em forma de musical e com algumas... “atualizações”.


Superstar: Cantando e dançando com Jesus

Já diz o ditado: “Esporte, política e religião: não se discute”. Mas aqui no Pílula Pop, a gente não liga para ditados. E, aparentemente, nem lá em Hollywood. Não é à toa que religião ainda vai aparecer nessa lista mais algumas vezes.

Nesse caso, o autor Tim Rice pegou “a maior história já contada” e resolveu dar um upgrade. A vida de Cristo é narrada com números de dança, tanques, canhões e tudo mais que o exagero e o espírito hippie dos anos 60/70 pudessem permitir. Nem preciso dizer que os católicos não acharam nada engraçado.

O livro virou um musical da Broadway pelas mãos de Andrew Lloyd Webber (O fantasma da ópera); e um filme, em 1973, sob a direção de Norman Jewison (que recentemente fez “Hurricane”, com Denzel Washington). Pelo menos, se nos palcos, Jesus Cristo era vivido por Ian Gillian, vocalista do Deep Purple, na telona ele ficou sob a responsabilidade de Ted Neeley, bem mais comportado.


O nome da rosa

Livro de: Umberto Eco

Filme de: Jean-Jacques Annaud

Por que era polêmico? Misturava religião com ciência, texto acadêmico com ficção, e alta literatura com trama policial.


Connery: Uma mistura de Robert Langdon e James Bond

Nos anos 80, Umberto Eco resolveu provar que o texto denso da alta literatura, as teorias acadêmicas e o gosto popular (!) podiam, sim, encontrar-se em uma obra. E o nome dela era O nome da rosa. O livro foi um best seller, apesar de alguns acadêmicos mais conservadores terem virado o nariz para o intelectual italiano – que estaria “se vendendo” às massas.

A trama também não era muito simpática com a história da religião católica, tocando em um absurdo ainda injustificável: a censura e supressão de obras e bibliotecas na Idade Média, levando à perda de material artístico e científico irrecuperável.

O filme adaptado chegou às telas em 1986, com ninguém menos que Sean Connery no papel de um monge que sabe que não adianta pedir ajuda a Deus para resolver as sujeiras terrenas – no caso, uma série de misteriosos assassinatos em um mosteiro no século XIV. É bem mais adequado recorrer à lógica e à ciência. Ao lado dele, um jovem Christian Slater, antes de ferrar a carreira com drogas. A direção ficou a cargo de Jean-Jacques Annaud, que fez o tenebroso “Sete anos no Tibet”, em 1997, e o instigante “Círculo de fogo”, em 2001.


A última tentação de Cristo

Livro de: Nikos Kazantzakis

Filme de: Martin Scorsese

Por que era polêmico? Jesus Cristo é um ser humano em conflito e pensa bem – muito bem, até – antes de tomar a decisão que mudou o curso da história.


Última tentação: Pai oitentista d'O Código

Bem antes de Dan Brown especular sobre a vida pessoal de um dos maiores ícones pop e religiosos do mundo, o grego Nikos Kazantzakis já apresentava Jesus Cristo como um sujeito comum, em dúvida sobre sua missão e suas responsabilidades. Na polêmica obra, o Salvador sonha com uma vida casado com Maria Madalena, filhos e trabalho – isso, durante a própria crucificação. Os pêlos das palmas das mãos católicas, calejadas pelo terço, arrepiaram.

Martin Scorsese teve as suas dificuldades para filmar a obra. Começou a produção em 1983, teve problemas de orçamento e locação com o estúdio e parou. Dirigiu “Depois de horas” em 1985, ganhou a Palma de Ouro em Cannes; fez “A cor do dinheiro”, em 1987 e ganhou reconhecimento em Hollywood. Só em 1988 veio “A última tentação de Cristo”, um projeto pessoal do cineasta, com Willem Dafoe no papel do Senhor. Harvey Keitel faz um Judas Iscariotes visto sob uma nova perspectiva – e até David Bowie lava suas mãos, como ninguém menos que Pôncio Pilatos.

O trabalho rendeu uma indicação ao Oscar de melhor diretor para Scorsese, muita controvérsia e muito dinheiro.


A Paixão de Cristo

Livro de: obra coletiva de uns 70 e poucos autores

Filme de: Mel Gibson

Por que era polêmico? Conta a história de Cristo com mais sangue que o filme do Rambo e não é lá muito simpático com os judeus.


Jim Caviezel, catchup e açúcar

Ninguém pode dizer que Mel Gibson é um cara sem consciência do que sabe fazer. Com um senso de adaptação incrível, ele pegou um dos maiores e mais conhecidos livros de todos os tempos – a Bíblia, já ouviu falar? – e recortou a parte mais violenta e melodramática. Esses dois ingredientes já haviam lhe rendido vários Oscar em “Coração Valente”. Então, ele deitou e rolou.

Gibson resolveu contar as duas últimas horas de Cristo em aramaico e com o máximo de sangue que o catchup-e-açúcar dessem conta. O primeiro fator lhe permitiu soltar algumas falas um tanto quanto preconceituosas contra os judeus. Ressuscitando um assunto que a Igreja Católica já havia enterrado, o australiano suscitava que eles foram os culpados pela morte de Cristo. Já o segundo fator fez com que platéias do mundo inteiro ficassem chocadas, chorassem rios de lágrimas, sentissem-se culpadas e se dessem conta de que tinham uma conta impagável com Jesus Cristo. E os dois fatores juntos renderam 600 milhões de dólares no bolso do Tio Gibson.

Se Dan Brown avisa em seu livro que “tudo que ele cita é verdade”, o fervoroso católico australiano, por sua vez, diz que foi Deus quem o pediu que fizesse o filme em um sonho. Jim Caviezel, que faz o sofrido Cristo de Gibson, confirma que também recebeu mensagens do Senhor, enquanto dormia. Na fé, no marketing e no cinema, caro leitor, tudo é possível.

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