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O eterno Sonic Youth

24.06.09

por Taís Oliveira

Sonic Youth - The eternal

(Matador, 2009)

Top 3: “Sacred Trickster”, “Antenna” e “ Anti-Orgasm”

Princípio Ativo:
memória

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Se existem discos com os quais você quer casar ou constituir família, The Eternal é o disco que você quer como amigo. Experiente, animado, bonito, um pouco doido, clássico, porém com um toque vanguardista. Quem não queria sair com ele?

Nome pretensioso para alguns, The Eternal descreve exatamente o disco e reúne o espírito do Sonic Youth, como uma coletânea que resumisse a obra da banda, só que com músicas inéditas. Uma sensação de déjà vu, mas não no sentido negativo. O eterno é cíclico, como mostra a capa.

O disco começa da melhor maneira. “Sacred Trickster” é forte, agitada, curta e com a agressividade do vocal de Kim Gordon. “Anti-Orgasm” começa com um riff repetitivo, mas quando a batida dançante-esquisita de Steve Shelley começa e as guitarras mudam, sabemos que é SY. O dedilhado inicial de “Leaky Lifeboat” traz à memória a cara drogada de Macaulay Caulkin em Sunday – a música é dedicada ao poeta beat Gregory Corso. Até aí o que vemos é o Sonic jovem e agressivo, com letras que falam de sexo e referências ao beatnik.

A partir de “Antenna”, clássico com 6 minutos e várias camadas, vemos o lado maduro da banda (ou do nosso amigo). A voz de Lee Ranaldo deixa isso mais claro em “What We Know”, com o clima soturno do baixo e dos tambores da bateria e a letra mezzo sombria e autorreferente. Lee Ranaldo devia cantar mais, como em “Walkin Blue” – as músicas “dele” têm um clima diferente, mais blue e reflexivo.

“Calming the Snake” tem o timbre de guitarras típico do Sonic Youth e a voz rouca, desafinada e raivosa de Kim Gordon, que talvez só eu goste. Já “Poison Arrow” mostra a vocalista mais delicada nos refrões e, com Thurston nos versos, a música resume o passeio entre o experimental e o “agradável” tão típico da banda. “Malibu Gas Station” é uma espécie de “What a Waste” versão 2009, com um toque de Mark Ibold, novo membro do grupo.

Dedicada a Bobby Pyn, o Darby Crash do The Germs, a curta “Thunderclap” tem espírito punk. A música, que fala sobre o músico punk que morreu de overdose, é seguida de “No Way”, aparentemente antidrogas: “Sweet temptation came today/ Evil nature, frozen grave/ You know you hurt me once/ And you know you'll never hurt me again”. The Eternal é a “noise meditation” do Sonic Youth.

E se “The Eternal” resume o espírito da banda, nada mais natural que uma música de quase 10 minutos para fechar o disco. “Massage The History” é cheia de momentos “viagem”, com um tom mais calmo no início acompanhado de Kim Gordon e sua limitação de tons. Uma grande parte instrumental é o recheio da música, que não, não é uma barulheira sem propósito. Com a voz de Kim, sexy, cantando “You're so close, close to me/ Let's go back to bed” é uma canção para massagear a história.

“Oh, que honra ser a resenha 1.000!”

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