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22.07.09

por Daniel Oliveira

Inimigo público nº 1 – Instinto de morte

(L'instinct de mort, França/Canadá/Itália, 2008)

Dir.: Jean-François Richet
Elenco: Vincent Cassel, Cécile De France, Gérard Depardieu, Roy Dupuis, Elena Anaya, Gilles Lelouche, Michel Duchaussoy

Princípio Ativo:
Mesrine/Cassel

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Quem são ELES?

Jacques Mesrine foi um aprendiz de Scarface dos anos 60/70, que protagonizou uma escalada sangrenta e trágica no submundo do crime em Paris e, posteriormente, em Montreal. Preso em 1979 após se tornar o tal “Inimigo público nº 1”, ele escreveu um livro com suas memórias, transposto agora para o cinema em duas partes.

“Inimigo público nº 1 – Instinto de morte” é a primeira delas e, apesar de suas falhas narrativas e de seu caráter excessivamente episódico, é o melhor trabalho do diretor Jean-François Richet (Assalto à 13ª DP) e do ator Vincent Cassel. Roteirizado por Abdel Raouf Dafri e pelo próprio Richet, o filme tem como eixo a personalidade perturbada e complexa de Mesrine, mas falha em tecer uma trama e personagens bem amarrados que girem em torno dela.

Onde estão ELES?

Já na primeira cena após os créditos, o protagonista, então um soldado do exército francês, presencia uma tortura na Guerra da Argélia em 1959. Ordenado pelo comandante a matar uma mulher, ele atira no outro preso, um covarde colaboracionista.

Jacques passará o filme todo assim: inconformado, irreverente, avesso a qualquer tipo de ordem/autoridade. Em outra cena, ele briga com o pai por ter colaborado com o governo alemão na França durante a Segunda Guerra. Essa rebeldia, nem sempre justificada, por vezes desnecessariamente violenta, guia o público pelo filme, sem pedir simpatia por Mesrine. O resultado é um realismo quase científico no escrutínio do protagonista, que torna o longa ambíguo (deslumbrado e indignado) e, por isso mesmo, mais interessante.

Como é que ELES podem saber tanto assim?

Cassel se equilibra milimetricamente entre o charmoso e o sombrio, entregando a melhor atuação de sua carreira. Sua performance é memorável e hipnotiza o público até a sequência da prisão, que é quando começamos a ter alguma empatia com o protagonista.

Com os belos movimentos com grua do diretor de fotografia Robert Gantz e a mão boa para a ação de Richet, o filme seria uma obra técnica e visualmente impecável, não fosse pela edição irregular. Os saltos temporais funcionam bem em alguns momentos (a ótima elipse que resulta na primeira prisão de Mesrine), mas em outros superficializa a trama. O pior exemplo disso é o encontro com Jeanne (De France) – a Bonnie para o Clyde de Jacques - totalmente abrupto e sem explicação. Em nenhum momento, o filme chega a dar alguma profundidade à personagem.

Falhas de um longa que emula Scorsese, Coppola e De Palma, sendo ridiculamente inferior a eles, e bem mais interessante quando quer ser Jacques Mesrine.

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Bonnie et Clyde aka Jeanne e Jacques.

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