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Fogo contra fogo

24.07.09

por Renné França

Inimigos públicos

(Public enemies, EUA, 2009)

Dir.: Michael Mann
Elenco: Johnny Depp, Christian Bale, Marion Cotillard, Billy Crudup, David Wenham, Jason Clarke, Stephen Dorff, Giovanni Ribisi, Lily Taylor

Princípio Ativo:
Depp, Robin Hood

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John Dillinger virou ídolo nos anos 30 por roubar dinheiro daqueles que eram considerados os grandes responsáveis pela crise econômica da época: os banqueiros. Não é de se espantar que, em época de nova crise, o fora da lei ganhe uma retratação heroica em “Inimigos Públicos”, como uma espécie de Robin Hood distorcido que tira dos ricos para dar... a ele mesmo.

A personalidade irreverente e a impulsividade do ladrão de bancos ganham com o rosto de Johnny Depp o charme irresistível para que todos torçam por ele. O diretor Michael Mann também faz sua parte para glamourizar o personagem, abusando de planos elegantes que mostram Dillinger e sua gangue enquadrados de baixo para cima. Destacados em seus sobretudos pretos contra fundos claros, o cineasta busca representá-los de maneira grandiosa, como pessoas diferenciadas. De quebra, os assaltos parecem sempre melhor organizados que as ações da polícia que, com seus erros e práticas de tortura, torna-se a vilã da história.

Focado na fase final da carreira de Dillinger, “Inimigos Públicos” traz também a semente do FBI, com J. Edgar Hoover (Crudup) explorando a caça ao bandido para elevar seu Bureau de Investigação a uma força nacional, o que transformou o ladrão no primeiro Inimigo Público nº 1 dos EUA. Comandando sua busca, o agente Melvin Purvis surge como um homem obcecado que não possui vida pessoal, e apesar da boa interpretação, Christian Bale não tem muito a fazer com o personagem esvaziado de motivações palpáveis, perdendo em carisma no confronto com Depp.

E é na dinâmica entre os dois que o filme se desenvolve quase como um conto moral. Dillinger e Purvis dividem uma única cena, simbolicamente enquadrada atrás de grades, revelando que ambos estão “presos” aos seus objetivos: assim como Purvis não possui vida pessoal, Dillinger também nunca poderá ter uma existência “normal”, apesar do sonho de viver com Billie Frechette, o coração do filme, na ótima interpretação de Marion Cotillard.

Se há romantismo nos personagens e na época, a câmera de Mann foge das convenções dos filmes de gangsteres e troca a fotografia noir pela alta definição digital, com imagens tremidas que trazem um realismo novo para o gênero sem deixar de prestar homenagem aos seus predecessores. A beleza estética impressiona e o barulho seco de armas disparadas confirma o diretor como o mestre dos tiroteios, ao mesmo tempo em que opta por um clímax focado nos personagens e emocionante pela força de uma história cuidadosamente construída ao longo de toda a projeção.

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Depp & Cotillard: cérebro e coração.

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