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Pagando bem, que mal tem?

05.08.09

por Taís Oliveira

Almoço em agosto

(Pranzo di Ferragosto, Itália, 2008)

Dir: Gianni Di Gregorio
Elenco: Gianni Di Gregório, Valeria De Franciscis, Marina Cacciotti, Maria Cali

Princípio Ativo:
vinho branco

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“Almoço em agosto” é um filme 'egoísta'. Gianni Di Gregorio (roteirista de Gomorra) cuidou da mãe por vários anos, fato que serviu de base para este filme, que ele escreveu, dirigiu e protagonizou. É um longa pessoal, que não se preocupa com o que se espera dele e essa despretensão é seu ponto alto.

Nos confortáveis 75 minutos de duração, o Gianni personagem é um cinquentão que vive para cuidar da mãe idosa e, por isso, coleciona dívidas. Quando o zelador de seu prédio oferece perdoar algumas delas caso Gianni hospede Marina, sua mãe, no feriado, o protagonista se vê obrigado a aceitar. Com ela, vem ainda uma tia. Não demora, o médico também leva a mãe em troca de algumas consultas. O resultado é um asilo improvisado que só alguém com muita paciência – ou pouco dinheiro – suportaria.

O longa pode incomodar por parecer um mero aperitivo, quando se poderia ter banquete. E, realmente, Gianni não aprofunda a história. A cena em que um homem coloca as mãos dentro da calça do protagonista parece anunciar uma mudança drástica e uma explicação pobre para a solteirice e a dedicação com a mãe. Mas 'o homem' é o médico.

“Almoço em agosto” não discorre sobre a velhice, pais e filhos nem até onde as pessoas vão pelo dinheiro. É só uma entrada - o prato principal fica por sua conta. Apenas uma cena, em que Marina “foge” para ir ao bar, questiona quais são mesmo as limitações impostas pela velhice e se elas existem pela idade ou pelo protecionismo dos filhos.

Já a Tia Maria demonstra a carência do lar que se esvazia, com o carinho que só existe numa placa. Valeria, a mãe de Gianni, traz as implicâncias e neuroses de quem tem tempo demais para pensar. E os poucos segundos em que o zelador sai em seu conversível com uma loira depois de desovar a mãe e a tia são suficientes para mostrar, em contraponto, que tipo de pessoa é Gianni.

A história é temperada (e este é o último trocadilho) com o vinho branco que não sai das mãos de Gianni e os pratos italianos que dão água na boca. Do macarrão simples de Gianni à pasta ao forno da tia Maria, culminando no tal almoço de Ferragosto, feriado italiano que acontece em 15 de agosto, a comida tem um papel importantíssimo no filme. Gianni (o diretor) aprendeu com Babette que uma bela refeição é fundamental e pode fazer maravilhas, especialmente com mulheres idosas. Elas têm, naqueles momentos, alegria de viver. E umas centenas de euros parece justo, se for para prolongar a sensação. A dança, nos créditos, corrobora essa visão Poliana e mantém, por mais algumas horas, o sorrisinho no rosto provocado por esta comédia sem gargalhadas.

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Gianni, as velhinhas e a alegria de viver.

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