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A Ítaca de Robertô

09.08.09

por Taís Oliveira

O contador de histórias

(Brasil, 2009)

Dir: Luiz Villaça
Elenco: Maria de Medeiros, Marco Antonio, Paulo Henrique, Cleiton dos Santos da Silva

Princípio Ativo:
uma boa história

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“O Contador de Histórias” é prova daquela máxima de que o importante não é o destino, mas o percurso. É nele que está a narrativa. E nela, o aprendizado, como mostram as histórias que Roberto Carlos Ramos conta para as pessoas em seu trabalho - e aquelas que o cinema conta, inspirando pessoas.

O longa de Luiz Villaça segue o garoto, irrecuperável segundo a Febem, que se tornou professor e um dos melhores contadores de história brasileiros, graças ao trabalho (e pesquisa) da pedagoga francesa Margherit Duvas. Não só a alegria de uma vida que deu certo, “O Contador de Histórias” revela as deficiências de um país educado pela televisão, em que as instituições corretoras são escolas do crime onde erros são premiados com biscoito recheado.

A paciência sobre-humana de Margherit denuncia um retrato adocicado e romanceado da realidade. A cena no banheiro do Mineirão, em que a pedagoga faz um discurso abrilhantado sobre preconceito e auto-estima, é um exagero em que fica clara a lição de moral do filme. Não importa se aquilo aconteceu ou não: quem controla a história agora é Luiz Villaça, que vacila ao colocar no diálogo algo que o filme mostra o tempo todo. Uma opção questionável, mas que não atrapalha.

Os flashbacks “inventados” e as sequências animadas entram no filme de forma criativa. Mas o diretor fica no meio do caminho, sem saber se explora a fantasia, como “Peixe Grande”, ou se privilegia a veracidade da história. Como a balança pende mais para o último prato, a criatividade de Roberto parece ficar de lado.

Maria de Medeiros está bem como Margherit. A portuguesa, ótima no francês e no brasileiro, possui aquela estranheza de quem não pertence ao país e nunca foi mãe, ao mesmo tempo em que parece confortável com tudo, inclusive com esse instinto materno. Laís Correa fez um ótimo trabalho de preparação de atores mirins, sendo surpreendente a atuação dos (não-atores) estreantes Marco Antonio e Paulo Henrique, que interpretam Roberto aos 6 e 13 anos, respectivamente.

Já a participação do verdadeiro Roberto no filme é um pouco deslocada e desnecessária. O contador é responsável pela narração, que às vezes é problemática e supérflua, com cara de publicidade. E a cena em que ele conta uma história para o público, no final, é longa demais.

Mas, no fim das contas, “O Contador de Histórias” é uma história de amor. É sobre amar as pessoas, todas elas. Ao sair do cinema, você irá se deparar com um Roberto, com olhos curiosos. Mas, infelizmente, não há uma Margherit para cada um deles.

FIM

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