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O samba do futuro doido

22.08.09

por Renné França

Juízo Final

(Doomsday, EUA/Alemanha/UK/África do Sul, 2008)

Dir.: Neil Marshall
Elenco: Rhona Mitra, Bob Hoskins, Alexander Siddig, David O’Hara, Malcolm McDowell

Princípio Ativo:
mashup apocalíptico

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E se a heroína de “Resident Evil” estrelasse um “Fuga de Nova York” com os vilões de “Mad Max” e os cavaleiros de “Excalibur”? Nem precisa usar sua imaginação, “Juízo Final” traz para você esse crossover disfarçado de produção nova em folha. Na verdade, o filme de Neil Marshall (de “Abismo do Medo”) não possui ligação direta com nenhum dos citados acima, mas tampouco disfarça a influência dessas obras em seu DNA.

Senão, vejamos: um vírus mortal se espalha rapidamente pela Escócia, obrigando o governo britânico a cercar a área infectada com um muro gigantesco e condenar os doentes à ausência de qualquer tipo de ajuda, em um prólogo que parece saído direto dos dispensáveis flashbacks de “Eu Sou a Lenda”. Trinta anos depois, a doença retorna em Londres, forçando a busca por sobreviventes imunes que possam dar origem a uma cura.

Para invadir a região isolada, o governo monta um time de elite, liderado por Eden Sinclair (Rhona Mitra) e composto por todos os arquétipos desse tipo de esquadrão de filme de ação. E lá vão eles para uma missão suicida, caindo no meio de uma guerra civil entre punks tatuados motoqueiros e cavaleiros medievais a galope.

Hein? É isso mesmo: cavaleiros medievais. Contra motoqueiros. Punks. A sociedade formada pelos sobreviventes regrediu à violência absoluta, mas é interessante pensar como alguns penderam para a tecnologia (com suas armas de fogo e carros) e outros para o arco e flecha, espadas e cavalos. E se de um lado há o circo grotesco da violência urbana, lembrando as gangues de “Robocop”, do outro há as roupas do “Robin Hood” (com o Kevin Costner) e lutas como as de “Gladiador”.

O caldo só não entorna porque o filme nunca se leva a sério, assumindo o nonsense e se oferecendo como a diversão despretensiosa que é. As interpretações são exageradas e combinam com o clima dos absurdos que se seguem até o final. Basta parar um segundo e pensar no que se está vendo para perceber que a história, seu desenrolar e conclusão não fazem muito sentido.

Mas Marshall conduz tudo com tanta energia que desvia a atenção dos problemas. O diretor adora corpos explodindo (e queimando, e partindo...) e sangue espirrando para tudo que é lado. Entre uma cabeça voando e outra, ele entrega uma ação tensa que diverte, apesar de dificilmente sobreviver a uma segunda visita. A não ser que você encare tudo como um longo pout-pourri dos futuros apocalípticos do cinema...

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O futuro é punk.

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