Busca

»»

Cadastro



»» enviar

Três é demais!

28.08.09

por Daniel Oliveira

Os normais 2 – A noite mais maluca de todas

(Brasil, 2009)

Dir.: José Alvarenga Jr.
Elenco: Luiz Fernando Guimarães, Fernanda Torres, Drica Moraes, Cláudia Raia, Daniel Dantas

Princípio Ativo:
o humor da série

receite essa matéria para um amigo

“Os normais 2” se baseia no fato de que “ser doidinho” é o novo “ser igual”. Dez anos atrás, se você dissesse ao seu chefe que está com uma ressaca fodida porque tomou umas drogas novas e encheu a cara na noite passada, seria demitido. Hoje, ele provavelmente vai te perguntar que balada é essa. Ser doidão é cool.

O negócio é que para cada Amy Winehouse, existem dez Lindsay Lohans. Ser do avesso não é fácil. E é isso que Rui e Vani descobrem ao decidir fazer um ménage à trois, na tal “noite mais maluca de todas”. A dupla dinâmica, consagrada pela série global e pelo sucesso do longa de 2003, sai atrás de uma “bi bonitinha” e entra numa situação constrangedora atrás da outra – praticamente dois Michael Scott’s do “The office” aterrorizando a noite carioca.

Nada mais normal. Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres estão ainda mais confortáveis (se é que isso é possível) na pele desse casal literalmente ordinário. É a entrega dos dois atores ao encarnar pessoas quase mediocremente comuns encarando (e causando) situações bizarras que torna o longa (e o casal), no meio de tantos absurdos, tão verdadeiro.

O roteiro de Fernanda Young e Alexandre Machado, ainda que bastante episódico, ajuda muito. Os dois criam novas situações “normais” para Rui e Vani, sem ignorar o tempo passado desde o fim da série, nem deixar os personagens estagnados. A busca pelo ménage surge com uma crise no noivado do casal, que já dura 13 anos. O intervalo parece ter sido bom para o universo, trazendo novas neuras para os protagonistas e dando um respiro para o humor junto ao público, que teve tempo de sentir saudades dele.

E é fato: quem gostava do seriado (e do filme anterior) vai se divertir com este “Os normais 2”. E quem não achava engraçado provavelmente não vai ser conquistado agora. As gags continuam variando entre o escatológico, o idiota e o puramente nonsense. Algumas funcionam (a bi bonitinha), outras nem tanto (a preguiça). Há ainda as que se baseiam em piadas muito batidas (o trocadilho francês com ménage). E aquelas absolutamente hilárias, como a viagem errada de Vani com o charuto xamânico.

O longa foi filmado todo em estúdio pelo diretor José Alvarenga Jr., com as externas (Copacabana, o carro etc.) inseridas digitalmente em 3D na pós-produção. E “Os normais” é isso: a mistura de situações e personagens realistas com uma grande farsa (sur)real. É fútil, forçado em alguns momentos, mas é o filme mais engraçado do cinema nacional no ano até agora. E, no meio de gripe suína e ruína financeira global, “engraçado” é do que nós precisamos.

Mais pílulas:
- Pagando bem, que mal tem?
- Vicky Cristina Barcelona
- Queime depois de ler
- ou Navegue por todas as críticas do Pílula

PílulaDica da semana: NÃO fume charutos xamânicos cujos efeitos você desconhece.

» leia/escreva comentários (0)