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A filha da mãe

03.09.09

por Daniel Oliveira

A órfã

(Orphan, EUA/Canadá/Alemanha/França, 2009)

Dir.: Jaume Collet-Serra
Elenco: Vera Farmiga, Isabelle Fuhrman, Peter Sarsgaard, Aryana Engineer, Jimmy Bennett, CCH Pounder, Margo Martindale

Princípio Ativo:
Esther, má

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Jaume Collet-Serra, o diretor, tem “A casa de cera” com Paris Hilton como maior destaque no currículo. David Johnson e Alex Mace, os roteiristas, são ambos estreantes. Como “A órfã” foi sair bom assim, portanto, é uma incógnita. Mas que é bom, é. E vai te deixar TENSO.

Razões podem ser especuladas. A começar, com o perdão da redundância, pelo início do filme. Mais especificamente, o uso da câmera subjetiva a partir do ponto de vista da protagonista Kate (Farmiga). Os estranhos closes em grande angular do marido e dos médicos que abortam a filha que ela acabara de perder lembram as cenas de Mia Farrow em “O bebê de Rosemary” e deixam o espectador no mínimo curioso pelo que está por vir.

Logo em seguida, “A órfã” assume um tom mais clássico e contido, próximo do que ele realmente é: um conto de terror e suspense StephenKingiano. Após o aborto, Kate e o marido John (Sarsgaard) decidem adotar uma menina, trazendo a encantadora Esther (Fuhrman) para morar com seus dois filhos, Daniel e Max.

Mas Esther não é encantadora. Ela é má. Pior que o câncer. E um dos trunfos do longa é gastar um bom tempo retratando a intrusão da menina na família, enquanto apresenta os personagens e deixa o espectador, e no início só ele, ciente do “lado negro” da adotada. Kate é uma alcoólatra em recuperação, que já havia colocado a vida dos filhos – e o casamento - em risco. Já Esther é estranha, com suas roupas antiquadas, seu isolamento e a maturidade e inteligência avançadas para a idade – que ela usa para manipular o clã.

E essas duas informações são essenciais para “A órfã”. Um, porque revelam o esqueleto do filme: o combate entre Kate, que começa a perceber a agenda da menina, e Esther, uma sociopata digna da patota de Hannibal Lecter e Norman Bates. E dois, porque contêm também sua alma: como bom emulador de Stephen King, o longa é uma metáfora de redenção moral, no caso, a luta de Kate para provar que é uma boa mãe.

No que chegamos ao último motivo: o ótimo elenco, encabeçado por Vera Farmiga e a jovem (e má, tenho certeza) Isabelle Fuhrman. Já o personagem de Peter Sarsgaard é um dos grandes problemas do filme. À medida que a sociopatia de Esther fica mais e mais clara, é quase impossível aceitar que ele não acredite na esposa.

A reviravolta final não é desnecessária porque justifica o roteiro (quase) sem furos, mas vai deixar alguns de sobrancelha em riste. O que não diminui os méritos de um filme que nos prova capazes de desejar a morte sangrenta de uma criança, sem apelar para o susto sobe-som – e que será lembrado pela posteridade como o maior argumento antiadoção da história.

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A família feliz. E a peste.

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