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Omo lava mais branco

08.10.09

por Igor Costoli

Terror na Antártida

(Whiteout, EUA/Canadá/França, 2009)

Dir.: Dominic Sena
Elenco: Kate Beckinsale, Columbus Short, Gabriel Macht, Tom Skerritt, Alex O’Loughlin

Princípio Ativo:
branco

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Whiteout é uma tempestade de neve típica do pólo sul. Durante sua ocorrência, o branco é basicamente a única coisa que pode ser vista a partir de um palmo do nariz. E é também a graphic novel de Greg Rucka, adaptada agora para o cinema. No Brasil, o gerador genérico de nomes para sessão da tarde transformou o fenômeno da natureza em “Terror na Antártida”. Sai o conceito, entra o literal.

Se bem que essa idéia vale para a adaptação como um todo. Dirigida por Dominic Sena, sai o poder da obra original e entra o pastiche para consumo adolescente. “Terror na Antártida” é uma releitura empobrecida e diminuída de qualquer impacto. Faltam poucos dias para a agente federal Carrie Stetko (Beckinsale, bonita e só) retornar com toda a população da base polar norte-americana para casa. Nesse momento, acontece o primeiro assassinato da história do continente polar. E, graças ao Whiteout, ela não dispõe de mais dias para resolver o caso. A viagem está marcada para as vésperas do fenômeno, que se prolongará pelos próximos seis meses.

“Terror” falha em fazer o espectador acreditar que deixar o continente é imprescindível. Fica a impressão de que voltar pra casa é simplesmente mais importante que resolver o assassinato. Da mesma forma, as razões para Carrie para ter escolhido o trabalho na Antártida não comovem, explicam ou ajudam em nada para a empatia com a personagem. Na HQ, ela contava com a ajuda da agente inglesa Lily Sharpe. Desaparece a personagem e a tensão lésbica, entra o agente especial Robert Pryce (Macht) para leituras comportadas e classificações mais livres para grande público.

Sena se dedica, então, ao que dele se espera. Seqüências de suspense e ação, momentos tensos de fato. Isso dá ao filme cenas interessantes, mesmo que sejam as perseguições mais inusitadas desde o ato final de “Escorregando para a Glória”. Ainda assim, é pouco. Como filme de suspense, criado em cima da estrutura “quem está dizendo a verdade e quem é o inimigo”, suas reviravoltas perdem o impacto. Isso e a falta de sutileza do diretor entregam os vilões para o espectador mais atento.

Whiteout fica pior quando se pensa no que poderia ter sido. É visível que quase todos os méritos da – boa – história vêm do original. Desenhados por Steve Lieber em preto e branco, os quadrinhos davam à história o tom denso que o roteiro exigia, além de evidenciar a importância e predominância do branco no continente gelado e na história. Com a adoção de cores, perde-se o conteúdo trazido pela estética.

Greg Rucka escreveu uma continuação da história: Melt. Se for para termos outro destes, melhor não...

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Ah, se todo branco fosse assim...

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