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O Novo Velho (Rei do) Mundo

18.12.09

por Daniel Oliveira

Avatar

(EUA, 2009)

Dir.: James Cameron
Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, CCH Pounder, Giovanni Ribisi, Michelle Rodriguez, Joel Moore

Princípio Ativo:
a (r)evolução

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A Terra-Média de Peter Jackson foi uma das melhores traduções geográfico-fantásticas do que é a “magia do cinema”. Mas, por mais pós-produção que exista ali, sua exuberância tinha uma origem bastante física, a Nova Zelândia.

Esse não é o caso da Pandora de “Avatar”. O planeta dos Na’vi, que vivem em harmonia simbiótica com a natureza local, foi total e tridimensionalmente criado em CGI. Ele não existe fora dos computadores da Weta e do filme de James Cameron, mas bastam 15 minutos para você não duvidar de que se trata de um dos lugares mais visual e ecologicamente estonteantes já projetados numa tela de cinema.

Os mesmos 15 minutos são o necessário para que os Na’vi deixem de ser bonecos azuis e passem a ser personagens de “carne e osso” – e emoções críveis. A captura de performance é impecável e, se não têm a complexidade de um Gollum, os aliens de Cameron são ao menos bem melhor escritos que os seres humanos.

Além de ser totalmente derivativo de filmes como “Dança com Lobos”, “Pocahontas” e “O Novo Mundo”, o roteiro - escrito pelo próprio diretor - abusa dos discursos motivacionais clichês do gênero, de alguns diálogos vergonhosos e de caricaturas arquetípicas rasas: o coronel Tudo de Ruim Miles Quaritch (Lang), que quer atacar os nativos a qualquer preço; o burocrata insensível Parker (Ribisi), que só pensa em lucrar; e o nerd Norm (Moore), que recita cultura Na’vi com a mesma eloqüência de um viciado em RPG.

RPG, aliás, é o princípio de toda a trama, em que os humanos criam ‘avatares’ aliens para interagir com os habitantes de Pandora. Jake Sully (Worthington) é o soldado paraplégico recrutado para substituir o irmão gêmeo (duplos são um leitmotif no filme) e cientista, morto antes da finalização de seu avatar. Uma vez em Pandora, Jake lida com a desconfiança da cientista Grace (Weaver), com a ambição do Cel. Tudo de Ruim e se apaixona pela Na’vi Neytiri (Saldana) e sua cultura.

Por mais que o roteiro grite suas alegorias políticas e mensagens ecológicas de forma nem um pouco sutil, ele é extremamente eficiente. Auxiliados pela realização de Cameron e o mesmo domínio absoluto da narrativa clássica, e de apelo universal, que ele demonstrou em “Titanic”, os 163 minutos de “Avatar” fluem num piscar de olhos, com exceção de algumas cenas no terceiro ato que podiam ser enxugadas.

“Avatar” é isso: um conteúdo velho – até James Horner parece repetir suas trilhas anteriores, de “Apocalypto” a “Mar em Fúria”, passando por “Tróia” - com uma forma revolucionária. Aqueles que deixarem o cinismo de fora da sala vão se emocionar com uma história nada nova, mas inquestionavelmente bem contada, podendo até chegar às lágrimas. A começar pelos nerds, que chorarão e molharão as calças logo nos primeiros 15 segundos, pensando na configuração do computador necessário para renderizar aquilo tudo.

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Se você olhar essa foto com um óculos 3D, ela pode explodir sua mente.

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