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Despedida em Nova Orleans

19.01.10

por Igor Vieira

Vício frenético

(The bad lieutenant: Port of call – New Orleans, EUA, 2009)

Dir.: Werner Herzog
Elenco: Nicolas Cage, Eva Mendes, Val Kilmer, Xzibit, Jennifer Coolidge, Tom Bower

Princípio Ativo:
Cage

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Confesso que o nome de Nicolas Cage nos créditos de “Vício frenético” me causou certa hesitação ao ser pautado para o filme. Mesmo em um trabalho do premiado diretor alemão Werner Herzog, a escalação de Cage ainda é motivo de desconfiança. Ok, seria injusto comentar que o ator só vem trabalhando em roubadas nos últimos anos, mas entre um “Adaptação” aqui e outro “O senhor das armas” ali, abundam fiascos como “Motoqueiro fantasma”, “Torres gêmeas” e “A lenda do tesouro perdido”.

Por deslizes assim, as críticas que emprestam a “Vício frenético” o epíteto da melhor performance do ator na última década não merecem tanto crédito. O preconceito, contudo, dissolve-se antes mesmo de o filme completar a primeira hora de projeção. “Vício”, que tem em comum com o longa de 1992 do diretor Abel Ferrara apenas o nome e o enredo geral, é um trabalho de ator. Um ator como Cage – vencedor do Oscar pelo papel de um álcoolico em “Despedida em Las Vegas” – que sirva a um tipo corrupto, autodestrutivo e, ao mesmo tempo, compassivo.

Na Nova Orleans devastada pelo furacão Katrina, o sargento Terence McDonagh resgata um preso que havia sido esquecido em uma cela inundada. O ato heróico lhe rende uma promoção a tenente e uma lesão nas costas, causada pela queda sobre a água. Terence se torna dependente dos analgésicos receitados pelo médico e, graças à personalidade compulsiva, o vício se estende a toda sorte de drogas apreendidas em suas rondas.

O lado obscuro da corrupção, mentiras e brutalidades do protagonista se contrapõe a um outro, nos cuidados com sua namorada, a prostituta Frankie (Mendes), e com o pai (Bower) e a madrasta (Coolidge) - cada um com seus próprios vícios. O filme usa a complexidade dada ao personagem para não tomar partido. Em nenhum momento, interessa ao diretor condenar Terence pelo mau comportamento ou levá-lo à redenção pelos seus atos mais humanos.

Ao público, também, isso não fará diferença. O protagonista não busca qualquer tipo de aprovação ou entendimento, mas a satisfação de seus desejos. E o que é o ser humano que não a busca constante da satisfação dos seus desejos? É isso que faz “Vício frenético” tão incomodamente atraente.

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Cage se dá conta de seus crimes contra o cinema.

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