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A arte de saltar no escuro

15.06.05

por Rodrigo Ortega

Coldplay - X & Y

(EMI, 2005)

Top 3: “Talk”, “A Message”, “The Hardest Part”

Princípio Ativo:
Asas

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“Aquela coisinha devia ter suas pernas arrancadas, e eu gostaria de comê-las em um restaurante”. A coisinha é um simpático sapo que estrela o comercial de um toque de celular, que alcançou a proeza de desbancar “Speed of Sound”, primeiro single de X & Y, do Coldplay, do topo da parada inglesa. O autor da frase é o vocalista Chris Martin. Apesar do desabafo, ele não deve estar assim tão bravo.

“Speed of Sound” e seu clipe bonitão mostram que a banda é mais do que mania passageira, como nosso amigo Crazy Frog. Para quem se encantou com Parachutes (2000) e A rush of blood to the head (2002), X & Y é um par de asas para visitar as estrelas. A viagem dá vertigem e aperta o coração. O primeiro single e “Talk”, com riff de “Computer Love” dos tios eletrônicos do Kraftwerk, são as candidatas a hits dançantes, “Clocks” para 2005.

Violões, pianos e melodias de ajoelhar e chorar, claro, aparecem com fartura. A profusão de efeitos e levadas climáticas faz com o disco demore algumas audições para alcançar toda sua bacanice. Mas “A Message” bate de cara. Chris Martin está foda naquela habilidade mágica de emocionar e fazer nossas as palavras dele: “Not going to leave it until it's much too late / On a platform I'm going to stand and say / That I'm nothing on my own”, canta.

“The Hardest Part” parece tirada do lindo Automatic for the People, do R.E.M. Simples, folk, tão bonita que me dá vontade de bater a cabeça na parede. “Swallowed in the sea” é leve e crescente, como uma pessoa voando e dando piruetas no ar. Outra pérola é “Till kingdon come”, composta originalmente para ser gravada por Johnny Cash, pouco antes dele morrer. A canção, acústica, ficou como faixa bônus no final do disco.

A faixa-título é cheia de teclados e efeitos, com uma melodia instigante. Os versos também são climáticos: “You and me are floating on a tidal wave / Together / You and me are drifting into outer space/ And singing”. Por outro lado, “Low” se destaca pela batida simples e forte, e guitarras mais proeminentes. Li alguém falar em uma lista de discussão q ela é a mais “indie-rock” do disco. Então tá…

Chris Martin não esconde a pressão das expectativas e o salto no escuro que é X & Y. “What if you should decide, that you don't want me there by your side? That you don't want me there in your life?”, pergunta em “What if”. E isso torna o disco ainda mais encantador. Grandes chances de ele jantar o sapinho, White Stripes, Oasis e Foo Fighters, juntos, no mesmo prato.

Pode ficar tranquilo Chris, a gente te quer do nosso lado.

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