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A guerra é uma droga

03.02.10

por Renné França

Guerra ao Terror

(The hurt locker, EUA, 2008)

Dir.: Kathryn Bigelow
Elenco: Jeremy Renner, Anthony Mackie, Brian Geraghty, Christopher Sayegh, David Morse, Guy Pearce, Ralph Fiennes, Evangeline Lilly

Princípio Ativo:
o vício

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O Iraque é uma bomba prestes a explodir. Quando invadiu o país, os Estados Unidos não pareciam prever o barril de pólvora que estava acendendo – um mergulho no que muitos consideram um segundo Vietnã. E se uso palavras como “bomba” e “barril de pólvora”, não é pelo clichê jornalístico, mas porque “Guerra ao Terror”, focado em uma divisão do exército especializada no desarmamento de bombas, usa o eufemismo de forma literal para traçar um estudo sobre os conflitos no país.

O filme acompanha o trio de soldados James (Renner), Sanborn (Mackie) e Eldridge (Geraghty), cada um deles representando uma parte das incongruências que cercam a guerra. Sanborn é a razão cega que não questiona ordens e respeita a hierarquia militar. Os outros dois são a ambigüidade das emoções humanas: Eldridge é o medo, a ansiedade e culpa por participar de um conflito que não compreende. James é a irresponsabilidade da busca incessante por adrenalina a qualquer custo, o rosto inconseqüente das batalhas.

Jeremy Renner traz uma atuação fantástica, minimalista, que mistura a fala mansa de seu protagonista com olhares e expressões que o tornam imprevisível. Não se engane: William James é o maior explosivo do filme, a tensão encarnada.

Kathryn Bigelow dirige com segurança e aproveita a luz estourada do deserto para passar a vulnerabilidade de seus personagens excessivamente expostos pela claridade. Usando planos fechados para criar o clima tenso que a história pede, ela diminui nosso campo de visão, não nos dando alternativa a não ser imaginar (e temer) o que está fora do quadro. A câmera tremida traz realismo à ação, transformando em imagens o tom imprevisível do roteiro. Estamos ali, no calor, com uma bomba preste a explodir, e ainda podemos ser atingidos a qualquer momento por uma bala. O Iraque é perigoso e a contagem regressiva nos letreiros, que informam o dia da dispensa daqueles homens, só aumenta nossa torcida para que todos saiam logo dali.

No que retornamos a James. Enquanto todos querem sair, ele quer ficar. Seu vício pela adrenalina lembra o personagem de outro filme de Bigelow, o Bodhi interpretado por Patrick Swayze em “Caçadores de Emoção”. Os dois não se encaixam na sociedade e só se realizam quando extravasam seu amor pelo perigo. A diferença é que o perigo aqui não são esportes radicais, mas uma guerra que está acontecendo neste exato momento. E em um lugar onde “Guerra ao Terror” deixa claro que você não gostaria de estar.

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“I'm finding I'm falling in love with the dark over here...”

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