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Stuck in a movie you can't get out of

11.03.10

por Daniel Oliveira

Entre irmãos

(Brothers, EUA, 2009)

Dir.: Jim Sheridan
Elenco: Tobey Maguire, Natalie Portman, Jake Gyllenhaal, Sam Shepard, Mare Winningham, Bailee Madison, Taylor Geare, Carey Mulligan

Princípio Ativo:
na média

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A música-tema de “Entre irmãos” é Winter, uma balada do U2 como várias outras que você já conhece: competente, bem produzida, melancólica... e chata pra caralho. E batida. Exatamente porque ela é igual a várias outras que você já conhece. E nenhum dos membros da banda faz nada de novo para dar Vida à ela: eles se limitam a fazer o feijão-com-arroz preguiçosamente – e é isso que faz com que uma canção até razoável seja... péssima.

E esse é o mesmo problema de que padece o filme de Jim Sheridan. “Entre irmãos” é alicerçado quase que 100% nos talentos (ou “Nomes”) envolvidos e nenhum deles faz mais que bater o ponto e repetir algo que já fez antes de forma burocrática, o que faz do longa um trabalho agonizante ligado a respiradores artificiais. Natalie Portman recicla as expressões da moça simpática de bom coração, mas sofrida. Jake Gyllenhaal é novamente o garoto problemático, enquanto Tobey Maguire é o bom moço. E Jim Sheridan faz mais uma vez o drama familiar com crianças fofas.

Todos entregam o necessário para que o filme passe em cima da média. Só que, considerando os talentos (ou “Nomes”) em questão, o resultado acaba sendo medíocre. É algo bem parecido com o que aconteceu recentemente em “Nine”. Mas enquanto Rob Marshall deixou seu musical a cargo dos atores e alguns deles fizeram trabalhos excepcionais (Cotillard, Day-Lewis...), Sheridan faz o mesmo e seu trio de protagonistas não passa do mediano.

O fato de o longa ser o remake de uma produção dinamarquesa de 2004 só piora sua falta de originalidade. Na trama, Portman é Grace, casada com o Capitão Sam (Maguire), que é mandado para o Afeganistão e dado como morto. Tommy (Gyllenhaal), irmão de Sam e recém-saído da prisão, ajuda a cunhada a superar seu luto e cuidar das filhas e os dois acabam cultivando uma relação que navega por mares perigosos até que...tcharan: Sam é encontrado e volta para casa com um baita Transtorno de Stress Pós-Traumático.

O filme vai do início sem sal ao nada demais do meio até o estupro emocional do fim, em que Maguire grita (e muito) para expressar a angústia de seu personagem (o que um jovem De Niro faria de forma silenciosa e muito mais assustadora). Todos os possíveis subtextos – a relação entre a noção de “irmãos” de Sam e seu soldado / Sam e Tommy, o relacionamento entre Tommy e o pai – são perdidos na falta de sutileza da direção. “Entre irmãos” acaba sendo somente uma cena-clímax e as duas filhas fofas de Grace e Sam. E olha que até elas perdem no quesito fofura para as irmãs do “Terra dos sonhos” de Sheridan.

Mais pílulas:
- O mensageiro
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Crianças fofas e o sorriso de Natalie Portman fazem desse mundo um lugar melhor.

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