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16.03.10

por Lívia Aguiar

Lembranças

(Remember me, EUA, 2010)

Dir.: Allen Coulter
Elenco: Robert Pattinson, Emilie De Ravin, Pierce Brosnan, Chris Cooper, Ruby Jerins, Lena Olin, Kate Burton

Princípio Ativo:
garoto famoso, planos fechados, brigas de família

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Existem vários tipos de filme ruim. Aquele que é tão péssimo que dá a volta e vira objeto de culto hype. O horrível que dá raiva e vontade de abandonar o cinema no meio da exibição. O insignificante: até diverte, mas no dia seguinte você nem lembra mais. E existe aquele que nem é tão ruim assim, tem umas partes boas, você justifica pra quem te acompanhou, mas... ao acender das luzes, sabe que perdeu parte da juventude com algo que não valia a pena. “Lembranças” está nessa última categoria.

Um casal de jovens se conhece na faculdade e descobre ter em comum as sequelas de perder um ente querido. Ela, Ally, presenciou o assassinato da mãe no metrô aos 11 anos e hoje aproveita cada minuto como se fosse o último. Ele, Tyler, encontrou o irmão enforcado no quarto e vive com o peso de seu fantasma, conversando com ele através do caderno de anotações.

A história se passa em uma Nova York longe das tomadas panorâmicas clichês e das locações turísticas – e isso é mérito do filme. Já Robert Pattinson prova que só consegue fazer uma expressão e, em algumas cenas, falha até na tentativa de sorrir. A pose de dark & twisty sombrio e perigoso não encaixa no papel de Tyler Hawkins, um intelectual riquinho, revoltado e indeciso.

Para mostrar que não é o bom moço (vampiro vegetariano? Oi?) de “Crepúsculo”, fuma um cigarro atrás do outro e não lava suas roupas – James Dean, o rebelde sem causa original, deve estar se contorcendo no túmulo. Emilie de Ravin (a Claire de Lost) até tenta criar uma aura de romance, mas quando Tyler se aproxima de Ally, sentimos mais medo de que ele morda seu pescoço do que vontade de dizer “awnn...”.

Ainda bem que “Lembranças” conta com Ruby Jerins para aliviar a tensão criada pela trilha sonora sinistra e pelas relações pai-filho regadas a socos e gritaria. A pequena Caroline, irmã de Tyler, relembra a infância povoada de coleguinhas malvados da escola e paranoias juvenis. Mesmo quando perde parte do seu cabelo em uma festinha de aniversário, é com graciosidade que ela supera a situação e segue em frente. Chris Cooper e Pierce Brosnan no papel de “pais” (um superprotetor, outro muito ausente) tentam fazer um bom trabalho, mas são papéis pouco profundos e o filme, que já é longo, deixa a sensação de que as boas cenas com eles foram para a lata de lixo do editor.

O final, que muita gente vai comentar depois de assistir, é realmente surpreendente, mas serve apenas para tirar o chão do público. Uma mera reviravolta interessante para salvar o filme do apedrejamento em praça pública. O espectador, já cansado, respira fundo depois dos minutos finais e meneia a cabeça, conformado com as calorias da pipoca e do refrigerante.

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“É, eu sei a Claire-Rousseau é meio #fail mesmo...”

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