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Saturday night fail

06.04.10

por Daniel Oliveira

Uma noite fora de série

(Date night, EUA, 2010)

Dir.: Shawn Levy
Elenco: Steve Carell, Tina Fey, Mark Wahlberg, Taraji P. Henson, Common, Jimmi Simpson, Ray Liotta, James Franco, Mark Ruffalo, Mila Kunis

Princípio Ativo:
Fey & Carell

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Conhece o ditado “Andes com pessoas engraçadas e engraçado parecerás”? Não, né? É porque eu inventei. Cinco minutos atrás. É um claro sinal de que eu não sou engraçado e, portanto, você não deveria andar comigo.

Viu? Funciona. Enfim, o ponto é: é fácil entender por que tantos atores famosos aceitaram pequenas pontas em “Uma noite fora de série”. Fazer uma cena ao lado de Tina Fey e Steve Carell - dois dos melhores comediantes norte-americanos em atividade – torna qualquer um automaticamente engraçado. Ou, no caso de Mark Wahlberg, tão ridiculamente não engraçado que é engraçado.

Fey e Carell, um encontro que é quase para o sitcom o que De Niro & Pacino foi para o policial, são o único motivo que torna o filme do diretor Shawn Levy minimamente assistível. Os dois são Claire e Phil Foster, casal de meia-idade suburbano que decide reaquecer o casamento com uma noitada em Manhattan. Eles acabam roubando a reserva de outro casal, os Tripplehorn, e são confundidos pelos capangas de um mafioso, “dando início a uma bela confusão!” #locutordasessãodatardefeelings

E na Sessão da Tarde é exatamente onde a despretensão de “Uma noite fora de série” vai ser perfeita. O roteiro é absolutamente idiota, derivativo e sem nem um pingo de autenticidade. O desfile de famosos – Mark Ruffalo, James Franco, o citado Wahlberg, Taraji P. Henson, Ray Liotta - em papéis bizarros do tipo “Nova Iorque é uma selva” tenta dar um ar “Depois de horas” do Scorsese à noite do casal Foster. Mas a mão pesada da direção de Levy, com sequências de ação exageradas passando por humor físico, deixa o filme mais próximo dos seus “Uma noite no museu”.

Resta o timing cômico do casal protagonista, com ele encarnando mais uma vez o underdog simpático; e ela, a neurótica nerd charmosa. É um dèjá vu de tipos que eles já fizeram antes mas, mesmo que exagerem e gritem demais em algumas cenas, não deixa de ser engraçado. Fey ainda tem que penar com o papel da “projeção do espectador idiota”, fazendo perguntas com cara de quem não entendeu algo óbvio e obrigando o marido a explicar a trama pro público mais...lento.

É a forma como os dois tiram sarro disso tudo e parecem sempre prontos a improvisar nas mínimas bobagens que salva o filme. No passar da régua, “Uma noite fora de série” é um longa inofensivo, que passa rápido e deve fazer sucesso por anos e anos na telinha. O problema é quando você o compara com os melhores episódios de The Office ou 30 Rock e se pergunta: qual é o problema com os roteiristas de comédia no cinema norte-americano? Quem sabe se eles seguirem meu sábio ditado e andarem um pouco mais com seus colegas televisivos?

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Eles nem fazem força para serem engraçados.

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