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A órfã ruim

09.04.10

por Daniel Oliveira

Caso 39

(Case 39, EUA/Canadá, 2009)

Dir.: Christian Alvart
Elenco: Renée Zellwegger, Jodelle Ferland, Ian McShane, Bradley Cooper, Kerry O’Malley, Callum Keith Rennie, Adrian Lester

Princípio Ativo:
cocô de urubu

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Renée Zellwegger está cagada de urubu. Fato. A moça, que não dá uma dentro desde que roubou ganhou o Oscar por “Montanha gelada” – que, convenhamos, já não era muito “dentro” – precisa urgentemente de um banho de sal grosso, sessão do descarrego ou o que o valha. E se esse “Caso 39”, fundo do fundo do poço, não for O sinal (de “Pare! Olhe. Reflita”), eu não sei mais o que é.

“Caso 39” é basicamente “A órfã” piorado alguns milhões de vezes. Uma assistente social, Emily (Zellwegger), adota temporariamente uma garota, Lilith (Ferland), após os pais tentarem matá-la. E descobre que, talvez, eles tenham alguns (bons) motivos para isso.

Só que, em vez das traquinagens diabólicas de Esther, o que se segue é um glossário dos clichês mais batidos dos filmes de terror: telefonemas assassinos, incêndios, ataques de insetos, pesadelos, borrões de sangue... O espectador divide sua atenção impaciência entre a previsibilidade do roteiro – é óbvio desde o início que a garota é má – e a clara inapetência do diretor Christian Alvart, que não sabe o que fazer com ele.

A cena no começo em que os pais tentam assar a menina aponta para o terrorzão B escrachado. Aí o filme parece seguir uma trilha rumo ao mistério policial. Faz a curva (derrapando) para o festival de efeitos especiais, em uma sequência com um “ataque” de vespas terrivelmente mal feita. Até chegar no desfecho que tenta emular o “suspense de nervos” tão bem realizado em “A órfã”, mas que só consegue matar de raiva. Nos minutos finais, tudo o que resta ao público é olhar para o relógio e calcular quanto tempo de sua vida ele nunca mais vai recuperar.

Adicione ainda Bradley Cooper com o prêmio “Participação idiota desnecessária do Ano”, além de uma série de tentativas pífias de susto sobe-o-som que vão te deixar com cara de “sério?”. O roteirista Ray Wright (de outra bomba, “Pulse”) nunca delimita muito bem os “poderes” de Lilith e o roteiro é tão cheio de furos que o final parece não fazer sentido. A direção do alemão Alvart (estreando em Hollywood) não melhora muito o que já é ruim, não conseguindo imprimir ritmo ao filme e abusando de closes sem extrair boas atuações de seu elenco.

Há quem vá justificar essa bomba com a “maldição do Oscar feminino” (Connelly, Kidman, Berry e tantas outras também sofrem com ela). Mas no “Caso 39” de Zellwegger, o problema é um pouco pior. Quando você está em um longa de terror no papel da Sarah Michelle Gellar e as suas caretas (aka atuação) são mais assustadoras que qualquer outra coisa no filme, está na hora de repensar a carreira.

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