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Pau que nasce torto nunca se endireita

20.04.10

por Marcela Vieira

Caçador de recompensas

(The Bounty Hunter, EUA, 2010)

Dir.: Andy Tennant
Elenco: Jennifer Aniston, Gerard Butler, Adam Rose, Christine Baranski

Princípio Ativo:
déjà vu

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O cara é um cafuçu. Oquei, se você não mora em Pernambuco e não tem a menor ideia do que um cafuçu seja, ele é aquele cara. Tem gingado, malemolência. Bom papo, lábia. E como se não bastasse, ainda tem – na maioria das vezes – um abdômen que lavaria todas as roupas da sua casa. Como nada nesse mundo é perfeito, ele é rude, fala de boca cheia e destrói, com sua imaturidade e falta de noção, qualquer relacionamento - além do seu coração.

Se você acompanha cinema, já sabe que Gerard Butler é o típico cafuçu. Em quase todos os filmes, ele cospe, arrota e solta pum, mas quando tira a camisa e lança aquele olhar 43, desarma a mais durona e escolada das moças. Foi o caso de Jennifer Aniston não só dentro, mas também fora das telas. Tenho uma teoria de que mulher amargurada por pseudo-príncipe-encantado é presa fácil do cafuçu. No caso dela, blame it on Brad.

“Caçador de Recompensas” é um grande dèja vu. Ora lembra “Um Amor de Tesouro”, ora lembra o ótimo, porém machista, “A Verdade Nua e Crua”, em que Butler repete o papel machão-que-odeia-mulher-mas-que-no-final-fica-bonzinho-pra-ficar-com-a-garota. E a quase todo o momento você se vê assistindo “Sr. & Sra. Smith” numa versão menos glamourosa que a de Brangelina.

O roteiro de Sarah Torph poderia até ser interessante, se não fosse tão derivativo. E bastante previsível - como 99% das comédias românticas, aliás. Tem pinceladas de ação meio “A Gata e O Rato” misturado ao romantismo de “A Dama e O Vagabundo”, mas o problema é que, além de algumas poucas tiradas engraçadas, não há muita novidade na história e nem nas atuações de Aniston e Butler. Em alguns momentos, chega a dar raiva pelo cara ser tão troglodita e ela ser tão Rachel-pós-Ralph-Lauren.

Eu poderia ser boazinha e dizer que é romantiquinho, bonitinho e até dá lagrimitchas marotas no cantinho dos olhos – num raro momento “P.S. Eu Te Amo” de Butler. Mas serei realista: as cenas de ação não empolgam, os diálogos não convencem e a direção de Andy Tennant chega perto de “Hitch – Conselheiro Amoroso”, mas também não traz nada de novo. A trilha sonora é legal - com hits do momento, como Somebody Call 911 do Sean Kingston - mas peca por lembrar, mais uma vez, Hitch e sua Yeah do Usher.

No final das contas, “Caçador de Recompensas” é um bom filme para se convencer de que nem todas as mulheres aceitam ser humilhadas e esculachadas por um homem, mesmo que ele tenha lindos olhos verdes e o abdômen do Jesus (Luz). Se bem que, sendo bem mulherzinha, quando o assunto é Gerard Butler, a gente até pode dar 0° pela grosseria, mas dá um super-duper 100° pelo tanquinho.

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“Dammit, acho que os Brangelina nos passaram de novo!”

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