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Proposta de infidelidade fatal

13.05.10

por Daniel Oliveira

O preço da traição

(Chloe, Canadá/EUA/França, 2009)

Dir.: Atom Egoyan
Elenco: Julianne Moore, Amanda Seyfried, Liam Neeson, Max Thieriot, R. H. Thomson

Princípio Ativo:
misoginia

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É tão velho quanto Eva: o mito da mulher que, insegura, perturbada e desobediente, peca - profanando e pondo a perder o paraíso. É um conto patriarcal e moralista que se perpetuou e parece nunca ser contestado. No cinema, o diretor Adrian Lyne se especializou em imaginar diferentes versões dele – “Atração fatal” nos anos 80, “Proposta indecente nos 90”, “Infidelidade” nos 00 – e, agora, o cultuado cineasta Atom Egoyan (“O doce Amanhã”, “A verdade nua e crua”) entrega o mais novo fruto (proibido) dessa árvore em “O preço da traição” (#GeradorGenéricodeTítulos nº 2489).

Nele, Julianne Moore é Catherine Stewart, uma ginecologista que começa a desconfiar de que o marido, David (um surpreendentemente galante Liam Neeson), está tendo um caso. Por vários acasos de roteiro, ela contrata uma garota de programa, Chloe (Seyfried), para testá-lo e acaba se envolvendo numa teia de manipulações e colocando o casamento e a família em risco.

Egoyan deve dar graças a Wilder por Julianne Moore, que faz do primeiro ato do filme seu show particular. Catherine é uma mulher que observa sua vida e sua família acontecerem sem necessidade dela. Ela olha para todos e esse olhar nunca é retornado. É uma sensação de perda do controle de tudo e o rosto de Moore expressa melhor que ninguém o “vazio sem esperança” da personagem. É por isso que acreditamos nas decisões de Catherine – e também porque Chloe é a primeira a retornar esse olhar da protagonista, o que é a chave da relação entre as duas.

O início do filme, retratando o esvaziamento passivo e lento de um casamento burguês, é até interessante. A cena em que Catherine interroga David no carro após ele flertar com uma garçonete é um show passivo-agressivo dos dois atores e do diretor. À medida que o centro do filme passa a ser Chloe (e que ela se mostra outro clichê machista), porém, “O preço da traição” vai se aproximando mais dos longas de Lyne. Leia-se um thriller não tão erótico a ponto de ir para o Cine Privé, mas o bastante para o Super Cine – daqueles que você teria vergonha de assistir com sua mãe do lado.

Adaptando o longa “Nathalie X” da diretora Anne Fontaine, Egoyan entrega uma realização técnica competente e burocrática. A não ser o elenco estelar e as belas locações de Toronto, não há muitos motivos para o filme não ir direto para DVD. Como está, é um cenário promissor perdido com uma trama boba e, quando ela está prestes a oferecer um conflito interessante e focar no que era realmente bom (a família), o filme acaba. Crime e punição para Catherine – e que as mulheres fiquem quietas, submissas e deem valor ao que têm da próxima vez.

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