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Coleção Vaga-lume Suécia parte I

20.05.10

por Daniel Oliveira

Os homens que não amavam as mulheres

(Män som hatar kvinnor, Suécia/Dinamarca/Noruega/Alemanha, 2009)

Dir.: Niels Arden Oplev
Elenco: Michael Nyqvist, Noomi Rapace, Sven-Bertil Taube, Lena Endre, Ingvar Hirdwall

Princípio Ativo:
o fator Harry Potter

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Na adolescência, eu era fanático pela série literária Os Karas. Escrita por Pedro Bandeira, ela seguia um grupo de estudantes que desvendavam mistérios (que na época eu achava) super elaborados, enquanto lidavam com os temas comuns a essa fase da vida. Meu preferido era Anjo da morte, que trazia uma trama com nazistas, história, Segunda Guerra – e provavelmente me fazia sentir muito inteligente.

“Os homens que não amavam as mulheres” é basicamente isso – só que se passa na Suécia e os protagonistas não são adolescentes. Mikael Blomkvist é o jornalista vítima de uma armação e condenado à cadeia por difamação, contratado pelo empresário Henrik Vanger para, nos seis meses antes de cumprir sua pena, descobrir a verdade por trás do desaparecimento de sua sobrinha predileta, Harriet, 40 anos atrás. Ele é ajudado por Lisbeth Salander, hacker que investiga sua idoneidade para Henrik e acaba criando um estranho laço com o repórter/Sherlock-Holmes-wannabe.

Ah, e um pequeno detalhe: o filme é também o primeiro capítulo da saga Millennium, atual fenômeno-literário-cinematográfico-estilo-Harry-Potter da Europa. Para se ter uma ideia do naipe do bagulho, um remake hollywoodiano já está sendo preparado, com Brad Pitt de olho em Mikael; Ellen Page, Carey Mulligan e Keira Knightley disputando o papel de Lisbeth; e David Fincher na direção.

Dito isso, “Os homens que não amavam as mulheres” é o típico longa que, a cada cena que passa, você tem certeza de que a leitura do romance deve ser bem mais empolgante. É fácil entender o apelo agathachristiano do “whodunit? o que aconteceu?” e ver o gancho ao final de cada capítulo que te impede de parar de ler. Mas como os dois primeiros “Harry Potter” de Chris Columbus, o filme é muito preocupados em ser fiel ao livro e seus fãs e, consequentemente, longo demais e cheio de gordura.

O que mais incomoda, porém, é que a história toda parece uma grande desculpa para a introdução dos dois personagens. A trama é um mero cenário para a caracterização deles, especialmente dela e, apesar de Lisbeth ser lésbica por uma cena, sua conseqüente aproximação (que, com sorte, será melhor trabalhada, e com menos seriedade, no remake do Tio Sam).

Isso não seria ruim, se o mistério não tivesse um desfecho tão broxante e cheio de furos (por que Lisbeth não liga para Mikael quando descobre a identidade do assassino? por que não chama a polícia quando vai atrás dele?). E se as histórias realmente interessantes não fossem deixadas em segundo plano – quem armou contra Mikael? por que Lisbeth é tão estranha? Ok, talvez essas respostas estejam nos livros seguintes (que não li). Mas isso só confirmaria a percepção acima.

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Ela é meio emo. Ele precisa de produtos de pele. A Harriet (na foto) até que é bonitinha.

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