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Apenas mais um de amor

17.06.10

por Marcela Vieira

Cartas para Julieta

(Letters to Juliet, EUA, 2010)

Dir.:Gary Winick
Elenco: Amanda Seyfried, Gael García Bernal, Vanessa Redgrave, Christopher Egan

Princípio Ativo:
A esperança é a última que morre

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Querida Julieta,

Você deve saber desde já que minha história, como tantas outras, não tem um final feliz. Sempre fui a razão de meus relacionamentos não darem certo. Mas desta vez, a culpa é do meu Romeu. Passamos por tantas coisas juntos, vencemos obstáculos. No final, não foi o suficiente. Ou talvez eu não tenha sido suficiente. Não sei.

Mesmo diferente da sua época, as mulheres ainda querem um grande amor para a vida toda. E foi esse sentimento que eu não entendo que me trouxe até o cinema, em pleno 12 de junho, para assistir a “mais um filminho romantiquinho de felizes para sempre”, como diz o meu Romeu, e tentar encaixar minha história com tantas outras que amo assistir. Mas “Cartas para Julieta” não se encaixou em nada com meu “drama”.

O filme conta a história de Sophie (Seyfried), uma jornalista americana que vai para a fair Verona em super clima de lua de mel com o noivo chef Victor, vivido insossamente por Gael García Bernal. Confesso que em alguns momentos até me questionei se não era qualquer outro atorzinho iniciante ali. Vergonha alheia. Continuando: ele começa a se entreter com a culinária local, ela tenta descobrir alguma boa história. E encontra o local onde as pessoas escrevem cartas a você, amiga Julie, sobre suas vidas amorosas.

Uma dessas cartas é de Claire (a sempre ótima Vanessa Redgrave), que há 50 anos tentou fugir com seu amor proibido, Lorenzo, mas não teve coragem. Através de Sophie, Claire vem a Verona, acompanhada do neto Charlie (Egan), atrás de Lorenzo. Começa aí uma jornada em busca do verdadeiro amor, tanto para Claire quanto para Sophie, já que Victor está sempre ocupado demais para ela. É aquela velha história: quem não dá assistência, abre concorrência. E Charlie se aproveita disso muito bem.

O filme é clichê, querida Julieta. E piegas. Às vezes dá até dor de dente de tanto açúcar e pouco sal. Os diálogos são fraquinhos, as cenas não convencem. Não fosse Redgrave ou o belo cenário do filme, era pra sair deprimida no meio da sessão. E juntando tudo isso à má direção de Gary Winick e ao roteiro fraquinho... sinceramente, né? Tudo bem: a cena da Claire encontrando seu Lorenzo 50 anos depois é digna de lagriminhas. Mas aquilo não é vida real. É puro sonho. Coisas que só Hollywood é capaz de fazer por você.

Você pode até pensar que estou desenganada com o amor. Mas é que depois de tantos desenganos, prefiro acreditar na vida como ela é. E me surpreender, em vez de me decepcionar de novo. Creio que isso nem Hollywood mudará.

Beijo,

Marcelinha


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