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Vestibular Real

18.06.10

por Daniel Oliveira

A jovem rainha Vitória

(The Young Victoria, EUA/Reino Unido, 2009)

Dir.: Jean-Marc Vallée
Elenco: Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Mark Strong, Jim Broadbent, Harriet Walter, Thomas Kretschmann

Princípio Ativo:
o subgênero Monarquia inglesa

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Para nós, estrangeiros, entender a relação dos britânicos com a Família Real é muito difícil. Eu, na minha enorme ignorância e falta de tato, já tentei questionar alguns (até mesmo neozelandeses) sobre essa devoção tão religiosa à Rainha e eles ficaram todos muito ofendidos. Porque é algo parecido com uma religião mesmo. É como questionar a fé de um cristão.

E é por isso que, assim como os filmes bíblicos, a monarquia inglesa rendeu um subgênero próprio no cinema. Se os britânicos gostam de perpetuar sua história na tela, registrando os rituais que significam muito para eles como um povo, nós nos interessamos pelas idiossincrasias, os detalhes, o teatro de algo que parece tão antiquado e, ao mesmo tempo, tão sério.

Esse nariz de cera gigantesco para dizer que, sim, “A jovem rainha Vitória” é mais um exemplo do filme de época sobre a realeza britânica. A história da moça que assumiu o trono aos 18 anos no início do século XIX - indo contra toda uma pressão por um regente - e aprendeu a reinar na prática tem todos os ingredientes que a receita pede:

1 kg Figurinos de encher os olhos
1 dúzia palácios de cair o queixo
1 pitada reconstituição de época / direção de arte impecáveis
A gosto cenas de bailes em que o casal descobre e/ou consolida seu amor
1 colher de sopa disputas acaloradas no Parlamento.

Obs: A receita não deve ser consumida nos restaurantes da Rain Projeções Digitais, onde os três primeiros ingredientes não podem ser degustados devidamente.

Seguindo à risca um competente roteiro de Julian Fellowes, o filme do diretor Jean-Marc Vallée (C.R.A.Z.Y.) não acrescenta nada de novo à fórmula. “A jovem rainha Vitória” mistura a análise de “A rainha” das disfuncionalidades, intrigas e jogos de influência da família real (na briga da protagonista com a mãe e seus aliados que não querem que ela assuma o trono) com o olhar carinhoso e compassivo de “Maria Antonieta” sobre uma adolescente lidando com algo muito maior do que ela deveria lidar.

O cruzamento não tem a personalidade de nenhum dos dois longas e é abandonado no terceiro ato, quando o foco se desloca do lado político para o romance entre Vitória e o príncipe Albert. Não chega a ser uma falha, já que Emily Blunt e Rupert Friend são atores simpáticos, cuja química funciona – e um lettering emocionante sobre o casal no final do filme é de dar um nó na garganta.

Mais problemático é o vilão de Mark Strong (de novo), que parece ser muito importante no início, some no meio e volta no final sem uma função muito específica no roteiro. No mais, o nome de Martin Scorsese na produção pode encorajar alguns a ver “A jovem rainha Vitória”, mas não há como negar: quem é fã do subgênero vai gostar e quem não é vai continuar odiando. Como fiéis e ateus.

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