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A morte é dura. A vida é pior.

19.06.10

por Daniel Oliveira

Em busca de uma nova chance

(The greatest, EUA, 2009)

Dir.: Shana
Elenco: Carey Mulligan, Pierce Brosnan, Susan Sarandon, Johnny Simmons, Aaron Johnson, Michael Shannon, Cara Seymour

Princípio Ativo:
luto

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Segundo a psicóloga Elizabeth Kübler-Ross, após uma grande perda ou trauma o ser humano passa por cinco estágios:

Negação
Após perder Bennett (Johnson), o filho popular-presidente-do-grêmio-escolar-futuro-líder-da-América, em um acidente de trânsito, Allen Brewer (Brosnan) quer seguir a vida como se nada tivesse acontecido. Não mencionar o nome dele. Ignorar o elefante branco. Professor de matemática, ele prefere não sentir. É mais fácil.

Raiva
Ryan (Simmons), o outro filho Zé Droguinha e rebelde sem causa de Allen, sabe que se os pais pudessem escolher, colocariam-no no lugar do irmão. E ele quer odiar Bennett por isso, mas simplesmente não consegue. Porque ele era bom assim. E isso gera ainda mais raiva. O que faz com que Ryan busque um grupo de ajuda como aqueles do “Clube da Luta”.

Barganha
Rose (Mulligan) estava com Bennett no carro. Depois de uma única noite com a paixonite do colégio, ela engravida. E ele morre. E Rose acredita que há um motivo para isso. Não vê como uma punição, mas como literalmente uma nova vida. Rose é a luz do filme. O acidente faz com que ela se interesse pela vida do rapaz - quem foi, porque era tão amado por todos - enquanto a família só consegue enxergar a morte.

Depressão
Grace (Sarandon), a mãe, acorda todos os dias e chora. Ela fica obcecada pelos detalhes do acidente: a dor, o sofrimento, o sangue. Quer experimentar cada sentimento por que o filho passou. E depois ainda quer sofrer a própria dor. Ela se sente no direito de extravasar a tragédia, mesmo que sua explosão possa atingir outros – especialmente o marido, seu oposto – e que Grace não saiba muito bem o que fazer com ela.

Aceitação
É para onde o roteiro da também diretora Shana Feste quer conduzir seus personagens. O problema é o público aceitar “Em busca de uma nova chance” [#geradordetítulosgenéricos nº 23451]. A história é tão redondinha, tão esquematizada, com cenas tão planejadas para arroubos de atuação que acaba não sobrando espaço para o verdadeiro caos que uma tragédia dessas impõe.

Nas performances, aliás, fica marcada a divisão do longa entre vida e morte. Os veteranos parecem presos às grandes cenas de dor (Brosnan e Sarandon). Já as boas revelações de Johnny Simmons (que também foi a melhor performance de “Garota infernal”) e Carey Mulligan (que, com “Em busca de uma nova chance” e “Educação”, saiu de Sundance 2009 como “a garota da vez”) são a vida do filme.

Mas falta - sujeira, algo que lembre o imprevisto, que não soe artificialmente fílmico. O texto varia entre o emocionalismo de Grey’s Anatomy e o exagero dos filmes indies americanos. Com essas falhas, o grande mérito do longa é ousar tratar de um tema sério em um drama adulto, gênero que parece ter sido relegado à televisão em Hollywood.

Mais pílulas:
- A partida
- O tempo que resta
- Uma prova de amor
- Navegue por todas as críticas do Pílula

“Ow, larga o Shia... sério, nada a ver vocês dois...”

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