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Três formas de amar

01.07.10

por Renné França

Eclipse

(The twilight saga: Eclipse, EUA, 2010)

Dir.: David Slade
Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Bryce Dallas Howard, Dakota Fanning, Anna Kendrick, Kellan Lutz, Nikki Reed

Princípio Ativo:
hot’n’cold

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“Eclipse” começa como filme de terror. Suspense, violência, medo. E quando você já está achando que o filme vai por um caminho sombrio, corta para um jardim florido com Edward (Robert Pattinson) e Bella (Kristen Stewart) recitando um dos diálogos mais chatos do ano. A saga Crepúsculo é isso: pegar um gênero rico, bem estabelecido e adicionar sacarose até desandar ao ponto de você não conseguir provar uma segunda vez.

E olha que esta já é a terceira tentativa de transformar a rica mitologia de vampiros e lobisomens em remédio para dormir. “Eclipse” é melhor que “Lua Nova” e “Crepúsculo”, mas isso significa tanto quanto dizer que a seleção de futebol dos Estados Unidos nesta Copa é a melhor da história deles. David Slade é um bom diretor e faz o que pode, mas a verdade é que tudo se resume a quem vai comer o ganso: o lobo ou o morcego.

Isabella Swan (ganso) é um enigma. O personagem é desenvolvido apenas a partir de sua pureza, sem maiores aprofundamentos. Não há nada em sua personalidade que explique o motivo de um homem com mais de 100 anos de idade se apaixonar por uma adolescente. Pior: não há a mínima coerência no fato de uma garota atrair ao mesmo tempo um ancião e um adolescente. Mas tudo bem, pode-se colocar esta na conta do “amor não faz sentido, não tem explicação”.

Jacob (Taylor Lautner) é a juventude, o lobo mau que aposta na intensidade e no desejo que pode provocar (tirando a camisa). Edward é o amigo gay que não é gay: é um vovozinho bondoso que faz tudo seguindo as regras de antigamente. É na sua fala que as metáforas sobre virgindade e a importância do casamento deixam de ser metáforas e são colocadas às claras. Bella só pode ser “mordida” depois de casada - e o vampiro procura zelar para que tudo aconteça “como deve ser”.

No meio da preguiça causada por tanto machismo, recheando uma história que simplesmente não anda mesmo depois de três filmes, há boas cenas de ação, um clima bacana de terror em alguns momentos, bela direção de arte, efeitos especiais melhores e uma cena desde já antológica, envolvendo o frio e dois homens em uma cabana no alto de uma montanha. O momento Brokeback Mountain de “Eclipse” é a parte mais interessante do longa, quando o morcego e o lobo deixam um pouco o ganso de lado e assumem a mútua atração. Deveriam logo afogar a ave e se morderem felizes. Pelo menos a coisa toda ia ficar um pouco mais interessante.

Mais pílulas:
- De repente, Califórnia
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O que acontece na barraca fica na barraca.

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