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Se beber, não dirija - um filme

13.09.10

por Igor Vieira

A Ressaca

(Hot Tub Time Machine, EUA, 2010)

Dir.: Steve Pink
Elenco: John Cusack, Clark Duke, Craig Robinson, Rob Corddry, Lyndsy Fonseca, Crispin Glover, Chevy Chase, Lizzy Caplan

Princípio Ativo:
besteirol americano de meia-idade

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Se você já esbarrou em alguma resenha sobre “Hot Tub Time Machine” (“A Ressaca”, além de revelar a falta de criatividade dos distribuidores brasileiros, tira a pouca irreverência que sobrou no original), pode ter se animado com as comparações com “De volta para o futuro” ou com o recente “Se beber, não case”. Mas antes de sair correndo atrás do ingresso, é bom saber: as semelhanças se limitam ao enredo.

A história dos três amigos quarentões que visitam a cidade onde viveram sua juventude (e que por questões do continuum espaço-tempo acabam revivendo um desses dias no passado) não deve ser levada a sério. “A Ressaca” sabe disso, como fica claro na cena em que um personagem chega à conclusão de que o ofurô do título original é também uma máquina do tempo.

Some-se a essa irreverência os nomes de John Cusack e do diretor Steve Pink e as expectativas tornam a subir. O primeiro é um dos nomes mais cool de Hollywood e acumula aqui a cadeira de produtor. O segundo tem no currículo o roteiro de “Alta fidelidade” e a produção da série “Entourage” - por consequência, um especialista em cultura pop e amizade masculina. Torcer para que o longa fosse um hino à década de 80 e um novo ícone do bromance seria pedir demais?

Aparentemente sim. Referências à década perdida existem aos montes e a sequência em que os amigos descobrem estar em 1986 é realmente engraçada. Mas já estava inteira no trailer. A maioria das “homenagens” beira o óbvio. Outras se perdem em meio a piadas feitas com o pop atual, de Miley Cyrus ao Twitter. Os protagonistas quarentões têm a companhia de um jovem nerd que não passa de uma muleta para justificar essas citações mais geeks. “Gilmore Girls” e suas alusões bacaninhas, por vezes obscuras, tem muito a ensinar aos roteiristas. Só a participação de Chevy Chase e uma paródia da banda Mötley Crüe realmente divertem.

E as amizades, que supostamente movem a história, deixam a desejar. O trio se dá conta de que o tempo os afastou e eles precisam resgatar os laços que os uniam, mas esse arco não é desenvolvido o suficiente. O mesmo acontece com um romance ensaiado entre os personagens de Cusack e Caplan e com a patrulha de esqui, vilões que parecem saídos da sessão da tarde. São storylines que servem única e exclusivamente para gags momentâneas.

O que fica de “A Ressaca” são as piadas escatológicas que, encenadas por jovens atores em ascensão ou antigos astros em decadência, já transbordam vergonha alheia. Vindas de profissionais do calibre de Cusack & Cia, fazem pensar no que o cinema americano ainda é capaz de fazer por um punhado de dólares.

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