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Mock(umentary)ing the devil

27.09.10

por Daniel Oliveira

O último exorcismo

(The last exorcism, EUA/França, 2010)

Dir.: Daniel Stamm
Elenco: Patrick Fabian, Ashley Bell, Iris Bahr, Louis Herthum, Caleb Landry Jones, Tony Bentley

Princípio Ativo:
vade retro pseudodocumental

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“O último exorcismo” queria muito ser – ou ao menos se dizer – original. Com seu formato ‘falso documentário’, atuações naturalistas e a abordagem cínica e pouco espetacularizada do tema religioso, o filme tenta afirmar que não é “mais do mesmo”.

Só que ele é mais do mesmo. E o principal motivo, ironicamente, é a primeira característica citada no parágrafo anterior. O estilo de falso documentário é algo que, de “A bruxa de Blair” passando por “[REC]” a “The Office”, já não traz nada de novo nem engana mais ninguém. E por mais que ele seja justificado pelo roteiro – o filme acompanha um pastor que quer realizar o tal último exorcismo em frente às câmeras para desmascarar a prática e provar que ela não passa de uma balela – o formato acaba trabalhando contra a história.

No primeiro terço, “O último exorcismo” assume uma estrutura mais à la “The Office”, com os personagens fazendo confissões e reflexões a respeito do que é mostrado, diretamente para a câmera. É uma muleta questionável, mas eficiente, usada pelos roteiristas Huck Botko e Andrew Gurland para passar várias informações e dados históricos sobre o tema que, num roteiro convencional, constituiriam páginas e páginas de diálogo expositivo.

Só que a partir do momento em que o pastor parte para a pequena cidade de Louisiana onde realizará o exorcismo, o filme adota uma linguagem mais “A bruxa de Blair” e os depoimentos somem. E isso, para o espectador mais perspicaz, já entrega como o imbróglio todo vai terminar. Sem contar que o uso de trilha musical, por mais que ela seja decente, é trair o formato e prova a falta de confiança do diretor Daniel Stamm nele.

Ainda que se releve essas questões mais amplas, “O último exorcismo” também não é nada excepcional como exemplar do gênero. A câmera na mão, instável e em constante movimento, já foi usada com efeito mais angustiante em “[REC]”. A escolha de Louisiana como cenário de temas religioso-satanistas é algo imperdoavelmente óbvio depois de “True blood”. E as cenas de exorcismo, em que a possuída inicia uma performance de ginástica artística com direito a contorções e andada de aranha, é algo que esses filmes precisam parar de copiar de “O exorcista”.

Por mais que o elenco esteja bem e o espectador fique realmente intrigado com o que está acontecendo ali, os roteiristas e Stamm não conseguem fazer com que sintamos pelos personagens, já que o protagonista é um golpista arrogante e a família exorcizada é uma incógnita. E quando ela é respondida o filme acaba de repente, implorando por uma continuação que provavelmente vai direto pra DVD e que poucos terão a paciência de encarar.

Mais pílulas:
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Jade não consegue fazer isso.

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