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Guerra dos mundos versão remix

01.07.05

por Daniel Oliveira

Guerra dos mundos

(War of the worlds, EUA, 2005)

Dir.: Steven Spielberg
Elenco: Tom Cruise, Dakota Fanning, Justin Chatwin, Tim Robbins, Miranda Otto, Morgan Freeman

Princípio Ativo:
Steven Spielberg

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Uma das marcas registradas de Tarantino é a habilidade de, no meio de uma seqüência de ação, encaixar um diálogo surreal ou uma música pop que leva o público às gargalhadas. Spielberg faz isso, só que no lugar do pop, ele coloca uma cena sentimental que você nunca esperaria naquele momento. E que, exatamente por isso, é capaz de envolver onde poucos dramalhões são. O problema é quando ele põe essa cena sentimentalóide no fim do filme e escorrega para o piegas.

“Guerra dos mundos” tem as duas coisas. Uma das cenas mais fortes do filme é quando Tom Cruise (interpretando ele mesmo, como de costume), em meio ao bombardeio contra os alienígenas, tem que fazer uma difícil escolha sem muito tempo para pensar. É impossível não roer as unhas, prova de que o longa se carrega no talento de Spielberg em criar um suspense envolvente, misturado ao drama familiar.

A história é baseada no romance de H. G. Wells, em que extraterrestres executam uma invasão à Terra, exterminando a raça humana. O cineasta remixa o clássico com pitadas do pânico norte-americano pós-11 de setembro e extrai da ficção científica o que ela tem de melhor: paralelos com a realidade. Para isso, ele conta com a família de Cruise, um pai relapso obrigado a cuidar dos filhos Robbie (Justin Chatwin) e Rachel (Dakota Fanning, a Nicole Kidman de 11 anos) bem no dia do ataque. O protagonista não supera seu próprio estereótipo, mas é ajudado pela boa atuação de Justin e Dakota. Além da participação de Tim Robbins (Sobre meninos e lobos), um ultra-democrata, como um personagem-metáfora da histeria ignorante e suicida do revanchismo republicano.

Os movimentos de câmera e a trilha sonora do tradicional parceiro de Spielberg, John Williams, são os fundamentos do filme, criando uma atmosfera apocalíptica e acuando o espectador da mesma forma que as vítimas na tela. Característica que o filia a “Os pássaros”, de Hitchcock, com o qual o blockbuster guarda algumas semelhanças – a revolta inesperada, acuando os arrogantes seres humanos, por exemplo.

“Guerra dos mundos” só perde força por um motivo: as comparações com os pupilos de Spielberg. Várias cenas do filme parecem tiradas de longas de Shyamalan (Sinais), James Cameron (Titanic) e Roland Emmerich (Independence Day) – diretores que seguem a cartilha criada pelo próprio pai do E.T. Isso deixa uma sensação de dèja vu, certa falta de algo novo, que normalmente se espera de um diretor como ele. Nada, porém, que retire do filme a diversão e a emoção, duas coisas que “Guerra dos mundos” prova que ninguém ainda faz melhor que Spielberg.

Cruise:”Você pode me dar umas aulas de atuação depois?”

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