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Plaquinha

01.07.05

por Rodrigo Campanella

Madagascar

(Madagascar – EUA/2005)

Dir.: Eric Darnell e Tom McGrath
Vozes: Ben Stiller (Alex, o leão), Chris Rock (Marty, a zebra), David Schwimmer (Melman, a girafa) e Jada Pinkett Smith (Gloria, a rinoceronte)

Princípio Ativo:
Sempre haverá os pingüins

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Semanas atrás, nosso webdesigner passou por uma situação complicada. Na sala de cinema, sentou ao lado de um gordinho chato no auge de seus onze anos que insistia em conversar com ele durante a projeção – dizendo que adorava filmes dublados. Junto dele, uma mãe/tia/avó insistia em reclamar que o filme estava demorando muito. Cruel que é, nosso amigo acabou dizendo algumas verdades pro moleque – para sorte dele. Ainda que tenha ficado traumatizado, quando for mais velho o garoto vai gastar bem menos no analista para deixar de ser chato.

Se estivessem assistindo Madagascar, possivelmente o menino nem teria olhado para o lado durante a sessão. Mas o nosso amigo ainda teria um grande problema pela frente, talvez ainda pior: o filme em exibição.

Em Madagascar, só não existem placas indicativas para explicar o que está acontecendo na tela porque tudo já está desenhado ali. A vontade de deixar cada detalhe da história claro, explicado, especificado, parece apontar o dedo para o espectador como se esse fosse burro.

Mesmo com essa vontade toda de Exibir, a história acaba cheia de buracos. Três animais do zoológico de NY (leão, hipopótamo e girafa) fogem à procura de um quarto (zebra) que, insatisfeito com a vida na jaula, resolveu se aventurar pelo mundo. Capturados os quatro por batalhões de polícia (!), acabam sendo enviados de volta para seu habitat natural. Mas por conta de pingüins psicopatas que seqüestram o navio que os transporta, acabam indo parar na ilha tropical de Madagascar.

O que acontece aqui é que a direção do filme parece ter ficado por tanto tempo procurando um estilo de animação que se afastasse da Pixar (Nemo, Os Incríveis) que sobrou pouco tempo para trabalhar o roteiro. De saída, nunca é possível descobrir qual o universo do filme – os animais continuam agindo e falando como se fossem humanizados mesmo na presença de humanos que os tratam como meros animais.

Crianças acostumadas com o mundo web/videoclipe provavelmente ficarão bem entretidas durante toda a película, tanto pela facilidade da historinha como pela gritaria visual constante. Os quatro personagens principais parecem ter sido atirados para fora da tela da televisão em um dia de fúria na MTV infantil. Apesar disso, a temática ‘estrangeiros’, várias piadas e a seqüência da crueldade da selva indicam que o público esperado não era, realmente, de crianças.

Num outro filme (e sem a muitas vezes desastrosa dublagem ‘carioquesa’ nacional), entrar na lógica de um universo visual feito com tanto carinho seria divertido. Em Madagascar, assistir o filme é possível, mas entrar nele não é. Resta seguir as placas.

“Mas nós somos simpáticos! Não pode ter ficado tão ruim assim!”

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