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Três doses de pecado

16.07.05

por Daniel Oliveira

Sin City

(EUA, 2005)

Dir.: Robert Rodriguez, Frank Miller, Quentin Tarantino
Elenco: Bruce Willis, Clive Owen, Mickey Rourke, Nick Stahl, Michael Clarke Duncan, Benicio Del Toro, Jessica Alba, Jamie King, Rosario Dawson, Brittany Murphy, Devon Aoki

Princípio Ativo:
Ficção pulp com requintes de arte

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O atraso da sessão deixava todo o tempo de espera por “Sin City”, tradução (e não adaptação) dos quadrinhos de Frank Miller, e o calor da manhã ainda mais incômodos. Nada pior para o mundo sombrio de Basin City do que um sol desagradavelmente iluminado. Enfim, começa com Josh Hartnett e o prólogo utilizado pelo diretor Robert Rodriguez (Era uma vez no México) para convencer Miller de que o projeto daria certo. O autor da HQ gostou tanto que co-dirigiu o filme. Em seguida, Bruce Willis é Hartigan, policial em busca do pedófilo Roark Jr. (Nick Stahl, perfeitamente insano), que seqüestrara a quarta garota seguida. Após uma troca de tiros, Hartigan arranca “as duas armas” de Junior, é traído e acusado dos crimes do bandido. Essa é Basin City.

“A cidade do pecado”. Mickey Rourke encarna Marv, um sujeito composto de músculos e deformação. A única mulher com quem dormiu, Goldie (Jamie King), é assassinada. Ele não pára de matar, enquanto não encontrar os responsáveis. É a história pulp por natureza. Não é à toa que recebe o nome da HQ. Marv apanha, leva (vários) tiros, é traído, vilanizado, mas não desiste. À medida que desvenda o mistério, ele sai das sombras para a luz, marca do cinema noir.

As mulheres em Basin City são fatais. Mas nenhuma é tão mortal quanto Miho (Devon Aoki), prostituta-ninja que não fala, age. Ela é o melhor de “A grande matança”. As prostitutas da Cidade Velha matam Jackie Boy (Benicio Del Toro), engraçadinho arruaceiro, sem saber que ele é um policial. Para evitar a retaliação, elas contam com Dwight (Clive Owen) para se livrar do corpo. No meio do caminho, um diálogo insano com o morto, dirigido por um tal de Tarantino. A cena é exemplar na utilização da cor no longa: as sirenes da viatura que os seguem, alternam manchas azuis e vermelhas em Dwight, denotando seu estado mental perturbado. Em outras cenas, o vermelho é usado para marcar a violência ou a sensualidade de uma mulher...

...E o amarelo para marcar a perda da humanidade d’O assassino amarelo”, que surge atrás da stripper Nancy (Jessica Alba), a garotinha que Hartigan salvara oito anos antes, obrigando-o a assinar uma confissão para sair da cadeia e protegê-la. Willis está bem mais confortável no papel.

As câmeras e efeitos digitais fazem jus à arte-finalização de Miller, reproduzindo a ambientação noir. A direção de atores é impecável e as mulheres não são simplesmente bonitas – elas são as femme fatale de Basin City. Rodriguez transpõe uma HQ para cinema com um nível artístico elevado, e mais: extrai camadas e texturas digitais tão funcionais quanto a película.

Ao sair, o sol parecia ter sumido e a cidade estava mais sombria. Uma bela mulher tremia “como a última folha de uma árvore morrendo”, esperando-me na entrada do cinema. Ela tinha um problema e precisava da minha ajuda...

“Foi mal, Willis, não sei porque o Tarantino não te chamou pro Kill Bill”

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