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De onde vem a calma?

01.08.05

por Rodrigo Ortega

Los Hermanos - Quatro

(SonyBmg, 2005)

Top 3: “Fez-se Mar”, “Paquetá”, “Sapato Novo”.

Princípio Ativo:
O mar

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Economia é a palavra de ordem na volta dos Los Hermanos. O quarto disco dos barbudos se chama simplesmente Quatro. As fotos de divulgação, com clima de álbum do Orkut, dão o recado: o que importa são as músicas. Elas não têm excessos. Rodrigo Amarante, Marcelo Camelo, Bruno Medina e Rodrigo Barba trocam metais e refrões pulantes por pianos e silêncios. Se no Ventura (2003) a banda flertou com o samba, agora eles são bossa-nova. As histórias de amor dão lugar a letras mais simples. Eles cantam o mar como Dorivais Caymmis moderninhos.

Em geral, Camelo canta as músicas mais calmas, enquanto as de Rodrigo Amarante são mais animadas e radiofônicas. A primeira faixa de trabalho do álbum é de Rodrigo. “O Vento” tem uma letra meio existencial e uma melodia bonita, que devem emplacar nas rádios. Assim como “Condicional”, que tem mais guitarras, e “Paquetá”, com ritmo caribenho e palavras divertidas (“Do imbróglio que qüiproquó / e disso bem fez-se esse nó... / sem você sou pá furada”).

É de Camelo que vêm a calma e o azul da capa do disco. A primeira faixa, “Dois Barcos”, com pianos e baixo acústico, lembra mais as suas músicas gravadas por Maria Rita do que as anteriores da banda. “Fez-se mar” é uma bossa agradável como um velho calção de banho e o dia pra vadiar. As três últimas músicas, “Pois é”, “É de lágrima” e especialmente “Sapato Novo”, são bonitas de arrancar lágrimas marotas do canto dos olhos.

Mas os Los Hermanos não deixariam passar uma regra tão fácil. A canção mais roqueirinha é de Camelo, “Horizonte Distante”. Tem guitarras, mas nada que lembre a banda que já fez questão de ser chamada de hardcore. Já a mais devagar é de Amarante, “Os pássaros”. A melodia arrastada, os efeitos e ecos lembram aquela outra banda cultuada que colocou o pé no freio com estilo. Até a letra é bem Thom Yorke: “Eu já não sei / se eu estou são / o que é um sonho ruim / e o que é um sonho bom”.

Os arranjos são muito bonitos, o que é mérito também do quinto elemento do Quatro, o baixista e produtor Kassin. São as canções mais sutis que os barbudos já apresentaram, mas é bobagem dizer que são uma ruptura na trajetória da banda. São as mesmas músicas bacanas de sempre, desta vez em slow motion.

Foto superproduzida é coisa de Mariah Carey

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