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A voz é um detalhe

01.08.05

por Braulio Lorentz

Ashlee Simpson – Autobiography

(Universal, 2004)

Top 3: "Pieces of Me", “Autobiography” e “Lala”.

Princípio Ativo:
Fraquezas e tinturas para cabelo

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Muitos dos primeiros passos da carreira da irmã caçula de Jessica Simpson foram retratados em seu próprio reality show: da escolha do repertório, às limitações vocais comuns em uma cantora pop de primeira viagem. Autobiography tem, então, o mais vasto making of que já se teve notícia.

Difícil saber com precisão quantas vezes Ashlee perdeu a voz e teve que comparecer ao médico. A única certeza é a de que os fãs e detratores acompanharam os exames de cordas vocais exibidos nos canais de televisão pelo mundo. Não é exagero concordar que Ashlee Simpson expõe parte de suas fraquezas, e que isso é ao mesmo tempo divertido e cativante.

A pretensão de Ashlee é transpirar despretensão, vender muitos discos e deixar claro que não quer seguir os passos de sua irmã mais velha e discípula de Mariah Carey. Pintar o cabelo de preto e não aceitar fazer playback no David Letterman são algumas das atitudes mauzonas. Em teoria, Ashlee faz do programa de TV e do disco de estréia um divã para se auto-analisar. Na prática, ambos são uma prateleira para vender canções com guitarras e refrões pra lá de coloridos.

O programa, exibido no Brasil pelo Multishow, é realmente muito bom. O disco não é tão bom quanto e a primeira orelhada pode enganar o ouvinte desavisado. Seria uma coletânea das meninas do pop rock internacional? O vocal não tem personalidade e se confunde ora com Avril Lavigne, no sucesso "Pieces of Me", e até com a viúva Cobain, Courtney Love, na roqueira “Autobiography”. Alanis Morissette está escarrada no refrão de "Shadow" e há um quê de Pink batendo cartão no começo da mesma canção. “Surrender” é a cara de Geri Halliwell e nos faz imaginar a ex-Spice Girls fazendo uma dancinha qualquer e dublando a música.

As letras mantêm o plano de exposição e desprendimento. A começar pelos versos da faixa-título, que abre o CD: “I'm the sexy girl in this crazy world/ I'm a simple girl in a complex world” (Sou uma garota sexy neste mundo sem nexo/ Sou uma garota normal neste mundo complexo). O início de “Pieces of Me” é como se fosse um diário: “On a Monday, I am waiting/ Tuesday, I am fading/ And by Wednesday, I can't sleep”. A dançante “Lala” consegue a proeza de ser ainda mais pessoal, graças ao refrão: “You make me wanna la la/ In the kitchen on the floor”.

Falta identidade, sobram clichês. A procura pela suposta naturalidade perdida nas paradas de sucesso não surtirá efeito, mas independente disso o frescor pop das canções de Ashlee Simpson permanece intacto.

A ) Emburrada. B) Autêntica. C) Sexy. D) Mala. E ) Todas as alternativas anteriores.

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