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Nem tão grande quanto deveria

30.12.04

por Suéllen Valverde

Alexandre

(Alexander, EUA, 2004)

Direção: Oliver Stone
Elenco: Colin Farrell, Anthony Hopkins, Angelina Jolie, Val Kilmer, Christopher Plummer, Jared Leto, Patrick Carroll, Rosario Dawson

Princípio Ativo:
Batalhas e cenários

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Nas mãos, a história do maior conquistador de que o mundo ocidental já teve notícia: Alexandre, o grande. No cast, um elenco de primeira grandeza: Anthony Hopkins, Colin Farrell, Angelina Jolie e Val Kilmer. Na direção, um nome respeitado e conhecido por não seguir as regras do cinema de massa: Oliver Stone.

Mas mesmo com todos esses ingredientes, Alexandre deixa muito a desejar. O épico de quase três horas de duração não consegue trazer para as telas toda a riqueza do personagem que foi um dos maiores responsáveis pela disseminação da cultura grega pelo mundo.

Quem conta a história de Alexandre (Farrell) é o filósofo Ptolomeu (Hopkins), que participou das batalhas e conquistas do amigo. Mas os muitos saltos no tempo entre uma fase da vida à outra, entremeados pelas cenas do filósofo no Egito, não permitem que o filme tenha ritmo, além de atrapalhar sua seqüência lógica. São omitidos detalhes importantes da vida de Alexandre, retomada já em seu primeiro grande feito como general: a batalha de Gaugamela. Daí em diante, o que se vê são muitas cenas de batalhas travadas do Egito à Índia, passando pela Babilônia.

No aspecto psicológico, as conquistas de Alexandre são, muitas vezes, reduzidas à fuga da companhia de sua mãe, a sacerdotisa Olímpia (Jolie), com quem mantinha um relacionamento perturbado. Não faltam referências à figura de Édipo, que matou o pai e se apaixonou pela mãe. Dessa relação se originaria a extrema insegurança do conquistador, recorrente em toda a película.

Em um filme tão cheio de conflitos e carnificina, é surpreendente a abordagem dada ao relacionamento afetivo entre Alexandre e seu amigo Hefastion (Jared Leto). As cenas dos dois apaixonados conseguem ter a pureza da infância que compartilharam, o que demonstra a coragem de Stone ao retratar abertamente a sexualidade de Alexandre. Mas ainda nesse sentido é falha a abordagem quase totalmente homossexual que ele recebe ao longo do filme, uma vez que é notório o interesse do grande conquistador por ambos os sexos.

Apesar de tudo o que o filme poderia ter sido, as cenas de batalhas tem um realismo louvável. Também chamam atenção o capricho dos figurinos e os cenários e paisagens tão diversos e exóticos quanto aqueles pelos quais Alexandre passou. Somada a esses atrativos, a segurança de Colin Farrell ao interpretar um personagem de tantos feitos grandiosos e relacionamentos conflitantes fazem valer os 176 minutos do épico.

Jolie e Farrell: dois nomes de um elenco de estelas

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