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Conflito de gerações

13.01.05

por Alfredo Brant

Sum 41 - Chuck

(Universal, 2004)

Princípio Ativo:
Canções para adolescentes

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Dia desses meu primo de 16 anos me entregou o novo disco dos canadenses do Sum 41. Claro que fiquei desconfiado, mas ele pediu para eu ser imparcial e ouvi-lo sem preconceitos. Nada contra a banda, que até então não conhecia, mas esse filme eu já tinha visto. Enquanto eu tento empurrar para ele bandas atuais que julgo legais ele contra-ataca com as “novidades” do punk-pop americano. Conflito de gerações? Pode ser...

O Sum 41 é mais um grupo surgido na década de 90 que, numa definição simplista, dá ao tradicional punk uma roupagem pop. Formado pelo vocalista Deryck Whibley e mais três garotos de vinte e poucos anos, o Sum 41 é neto de Offspring e Green Day e filho do Blink 182. Pouquíssimas coisas podem surpreender nessa seara. Trata-se de um som mais que previsível. A banalidade desses grupos é sob medida para uma fase da vida em que a personalidade ainda está sendo formada e muito pouco pode impressionar.

Do punk, passando pelo hardcore, chegando ao emocore, o Sum 41 passeia por esses rótulos. Mas a banda agrega outras influências. Em Chuck encontramos um pouco de heavy-metal, pitadas de metal melódico e nu-metal. É claro que há baladas sentimentais ao violão. Em uma delas, “Some Say”, é nítida a sintonia de Deryck Whibley com sua namorada, a rebelde-sem-causa Avril Lavigne.

Tirando alguns esparsos bons momentos, como “The Bitter End” e “ Welcome to Hell”, a impressão que fica é que Chuck é “só mais um disco” e o Sum 41 “só mais uma banda”. Na carência de uma personalidade marcante, os canadenses atiram para todos os lados e ainda assim não saem do mesmo lugar. A estrutura das canções pouco diferem, com refrões muito semelhantes entoados por um vocal fraco. Você vai encontrar Linkin Park em algumas músicas ou System of a Down descarado em outra. Tudo muito vazio, sem conteúdo. Não que toda banda deva ser algo sério, que se pretenda memorável. Mas no caso do Sum 41, toda a atitude e a rebeldia não soam nem um pouco autênticas.

Meu primo é um cara bacana e duvido que daqui a quatro anos ele vai estar ouvindo discos como Chuck. Então por que esse tipo de som fascina tanto adolescentes de todo o mundo? Em grande parte porque falamos de músicas feitas para eles por pessoas como eles. Uma geração alienada, de jovens consumistas. A mídia vende atitude e isso é sedutor nessa idade. Com isso, todos podem se afirmar perante o mundo. Mas o espírito crítico só é adquirido com o tempo e os gostos, quase sempre, mudam. Felizmente.

Sum 41: quatro garotos de vinte e poucos anos

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