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História Mínima

31.08.05

por Mariana Marques

O cachorro

(El perro, Argentina, 2004)

Dir.: Carlos Sorín
Elenco: Juan Villegas, Walter Donado, Mitol Estévez, Kita Ca, Pascual Condito

Princípio Ativo:
Cachorro, estrada e velhinho meigo

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Para fazer seus filmes, o diretor argentino Carlos Sorín deve se inspirar freqüentemente em cães, velhinhos, estrada e épocas de crises financeiras. Em Histórias Mínimas , um de seus personagens é o senhor Don Justo Benedicto que sai em busca de seu cachorro perdido, cruzando estradas da Patagônia e ignorando a crise na Argentina. Em “O Cachorro”, somos apresentados ao solitário Juan Villegas, um velhinho que tenta sobreviver vendendo suas facas. Villegas parece não ter muita expectativa em melhorar de vida. Sabe fazer serviços de mecânico, mas não consegue emprego nos postos. Mora com a filha, que parece que apenas suporta o pai como uma obrigação.

Um dia, ao ajudar uma motorista na estrada, o velhinho ganha um cão de raça como recompensa. Após perceber o potencial do cachorro, um treinador de cães propõe a Villegas que leve seu animal para competir em exposições. O velhinho aceita dividir os lucros que ganhar e começa os treinamentos com Bombon, como é batizado o cachorro. Na primeira exposição que participa, o cachorro se dá bem. É o começo de uma série de exposições que Villegas participa ao percorrer com Bombon as planícies da Patagônia.

O cachorro traz uma nova vida para o velhinho. Bombon passa a ser admirado por todos, que querem um filhote do animal. Com orgulho, Villegas passa a dizer que é “um criador de animais” para todos que conhece na estrada. O cachorro ajuda o velhinho a fazer amizades e voltar até mesmo a ter interesses amorosos. A amizade construída entre cão é dono é permeada por inocência e gratidão.

Carlos Sorín convida atores amadores que emprestam seus nomes aos personagens. É incrível como Juan Villegas consegue passar tanta verdade como o pobre velhinho. Ele constrói um personagem tímido e meigo. Em suma, um velhinho fofo, que contrasta com Bombon. O cão foi, aliás, a maior surpresa para mim. Ao decidir ver “O cachorro” na mostra indie, pensei que estava indo ver um filme sobre uma amizade entre um velho e um cachorrinho fofo. Pensei errado, pois Bombon é um cachorro grande, bravo, daqueles que tenho medo de chegar perto nas ruas. Apesar da surpresa um pouco decepcionante, o filme não deixa de ser agradável, graças ao talento de Sorín de conduzir histórias simples e criar personagens cativantes.


Eis o protagonista do filme em todo seu garbo e elegância

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