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Devagar e sempre

12.10.05

por Braulio Lorentz

Maria Rita – Segundo

(Warner, 2005)

Top 3: “Mal Intento”, “Recado” e “Casa Pré-fabricada”.

Princípio Ativo:
30 iPods, hereditariedade e lentidão

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Você provavelmente conhece o ditado “Não duvide das estratégias de divulgação de uma grande gravadora”. Mas caso não conheça, tudo bem. A máxima, que eu acabei de inventar, pode ser aplicada ao segundo disco de Maria Rita. É ingenuidade pensar que não existiam segundas intenções quando a Warner distribuiu iPods para os 30 jornalistas que compareceram à entrevista coletiva de lançamento do CD. O caso do “iPod da Maria Rita” caiu nas mesas de bar e foi alimentado pelas atitudes dos jornalistas após o recebimento do aparelho eletrônico com as novas músicas da cantora filha de Elis Regina. Todos confirmaram a devolução do brinquedinho, alguns acusaram a gravadora de ter feito jabá e sobrou farpa para os que elogiaram o álbum.

Pílula Pop não recebeu o iPod e isso quer dizer que estamos, então, livres para falar bem ou mal do disco. Fico com a primeira opção. Para começo de conversa, Maria Rita é uma intérprete que convence. Basta ouvirmos duas ou três canções na voz da moça para entendermos que não estamos diante das também gordinhas Lisa Presley (filha do rei) ou Kelly Osboune (filha do príncipe das trevas). Em resumo, é uma baita de uma maldade dizer que os dois piores discos de Elis Regina são os da Maria Rita.

Mesmo não apresentando nada de novo, as canções estão mais arrastadas do que as da estréia. As mudanças fogem da música e procuram abrigo na vida pessoal de Maria Rita, que ganhou um filho e três Grammys Latinos no hiato entre as gravações. Ela também perdeu o produtor e amigo Tom Capone, que faleceu em um acidente de trânsito, em 2004. Sem produtor, chamou seu ídolo Lenine, que topou co-produzir o álbum com a cantora.

Maria Rita demite a distorção de “Casa Pré-Fabricada”, terceira canção do disco Bloco do Eu Sozinho, do Los Hermanos, alçada ao seu repertório. Provoca suspiros em “Mal Intento”, do one hit wonder uruguaio Jorge Drexler, dono de “Al Otro Lado Del Rio”. A desacelerada “Minha Alma – A Paz que eu Não Quero”, regravação d’O Rappa, coloca na praça mais uma vez o verso “Também morre quem atira”. Cheiro de “Voto Sim” no ar.

O samba “Recado”, de Rodrigo Maranhão, pode enganar o desavisado, graças ao arranjo primo de “Cara Valente”, do primeiro disco. O integrante do Monobloco assina também a primeira música de trabalho, “Caminho das Águas”. A música equivale a um copo de meio litro de milk shake de lexotan. Estranho pensar que isso é um elogio.

Se os Los Hermanos são os Dorivais Caymmis moderninhos, Maria Rita assume o papel de Elis Regina, embora não tão moderninha assim. E isso é igualmente estranho.

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