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Judi Dench e Bob Honskis apresentam

01.04.06

por Eugênio Marques

Sra. Henderson apresenta

(Mrs. Henderson presents, Inglaterra, 2005)

Dir: Stephen Frears
Elenco: Judi Dench, Bob Honskis, Kelly Reilly, Thelma Barlow, Will Young

Princípio Ativo:
Nudez para inglês ver

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Consideração inicial: Judi Dench é uma das melhores atrizes em atividade. Domina técnica, voz e linguagem corporal com brilhantismo ímpar. Nesse seu mais novo trabalho, “Sra. Henderson apresenta”, a dama inglesa interpreta uma excêntrica viúva no período entreguerras, mas não escapa do rótulo que tanto persegue os seus papéis: o de mulher forte e determinada.

A sinopse é interessante: ao perder o marido, Laura Henderson (Dench) entra para o círculo das mulheres viúvas, mas não se adapta às atividades de crochê nem às reuniões com intuito de caridade. É então que ela decide comprar um teatro em desuso, o Windmill, e revitalizá-lo. Para atrair público, ela utiliza seu charmoso poder de argumentação e convence as autoridades britânicas a permitirem a exposição de mulheres nuas em seus espetáculos.

Trazendo elementos que aludem à comédia britânica, a nudez retratada no filme não atinge as mesmas proporções de espetáculos franceses (como se poderia imaginar), mas alcança enorme sucesso entre o público masculino, especialmente entre soldados ingleses em meio ao furor da Segunda Guerra Mundial. Este acontecimento, aliás, é parte integrante do segundo ato da história e a carga dramática assumida pelo filme o prejudica: “Sra. Henderson apresenta” por vezes soa artificial ou redondo demais, funcionando em sua essência como “filme candidato ao Oscar”.

A performance de Judi Dench, contudo, mais uma vez espetacular, é digna do cobiçado prêmio. Ajudada por um início de história ágil e inspirado, chega a parecer impossível não criar uma simpatia por sua personagem, uma mulher tão adorável e sagaz. Os atores coadjuvantes, por sua vez, estão também sempre afinadíssimos em cena. Thelma Barlow, vivendo a melhor amiga de Laura Henderson, consegue se sair uma personagem tão interessante quanto a própria protagonista. Já Kelly Reilly (repare alguma semelhança com a modelo Mariana Weickert) adiciona o tempero da juventude ao filme, impetrando uma boa dinâmica com os atores de outra geração. Mas Bob Hoskins, responsável pela tensão sexual despertada na personagem de Judi Dench, é o melhor dentre todos eles. Hoskins está sensacional como o empreendedor que impulsiona as peças promovidas pela Sra. Henderson, injetando ânimo e curiosidade sempre que aparece.

Com desfecho desinteressante, o diretor Stephen Frears não ousa tanto quanto em seu trabalho anterior, “Coisas belas e sujas”. Como semelhança entre os dois, há a impressão de que Frears priorizou o espaço para excelentes atuações em detrimento de um desenvolvimento mais coeso da história, o que acabou resultando em um trabalho apenas um pouco acima da média. 60 ou 70 graus no termômetro? Ah, tanto faz, né?

Não se deixe enganar pelas roupas de época, elas são bem safadinhas!

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