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Um Zorro tonto

28.10.05

por Daniel Oliveira

A lenda do Zorro

(The legend of Zorro, EUA, 2005)

Dir.: Martin Campbell
Elenco: Antonio Banderas, Catherine Zeta-Jones, Rufus Sewell, Adrian Alonso, Julio Oscar Mechoso, Nick Chinlund

Princípio Ativo:
Cachaça, pra agüentar o discurso político absurdo

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Cinco considerações sobre “A lenda do Zorro” de acordo com regras básicas para continuações de longas de ação / aventura de sucesso em Hollywood:

1- Aumente o número e a escala das lutas e da ação: Se o primeiro tinha três seqüências de ação, o segundo deve ter umas cinco. Quanto às lutas, ensaie mais, com mais oponentes enfrentando o herói ao mesmo tempo. Bem matemático, afinal desde quando cinema é arte, não é verdade? Se o original fez sucesso, o orçamento será maior na continuação, substituindo a originalidade pela grana. No filme, cavalos saltando em trens em movimento e lutas em cima de pedaços de pau de menos de 10 cm de diâmetro, a uma altura de uns 15 metros, são bons exemplos – de cenas forçadas, feitas para gastar dinheiro, às quais Martin Campbell, diretor também do original, não consegue imprimir ritmo.

2- Invista mais no ingrediente de maior sucesso no original: Nesse quesito, “A lenda do Zorro” não decepciona. O melhor do primeiro filme era a química entre Zorro / Alejandro (Antonio Banderas, de “Shrek 2”) e Elena (Catherine Zeta Jones, de “Doze homens e outro segredo”). Os dois continuam afiados em seus diálogos e timing cômico. Como na dança da festa do francês Armand (Rufus Sewell), que disputa o amor de Elena, depois que ela abandona o herói.

3- Renove a fórmula com novos coadjuvantes: Não é o que acontece aqui. O citado Armand aparenta preguiça no ar blasé francês caricato. O filho de Alejandro e Elena, Joaquin (Adrian Alonso), concorre ao prêmio criancinha mais chata do ano, não sendo salvo nem pela carinha de aluno da novela “Carrossel”. O melhor e mais engraçado coadjuvante do filme é o cavalo do protagonista, Tornado – que bebe, fuma e tem até expressões de medo.

4- Acrescente algo “na moda” para atualizar o roteiro: No caso, uma seita de cavaleiros europeus medievais - influência sem-vergonha d’O código da Vinci”. Dez anos depois do primeiro filme, Elena quer que o herói abandone a máscara, mas ele tem que garantir a segurança da votação que tornará a Califórnia um estado federativo norte-americano. Com estrangeiros querendo sabotar a “liberdade norte-americana” à base de discursos vergonhosos e planos mais ainda, você não acredita que o espanhol Banderas aceitou um roteiro tão absurdo. Cheia de furos – por que Elena não conta seu plano a Zorro, desde o início? – a história é desculpa para cenas de ação fracas e troca de farpas entre os dois protagonistas.

5- Crie ganchos para mais continuações: Martin Campbell – diretor do próximo 007 – provavelmente está tentando fazer do herói mascarado algo parecido com o agente inglês. As cenas de ação exageradas, o ar conquistador irresistível e o tom político equivocado são pistas bem fortes.

E cadê o Tonto? Com esse nome, ele provavelmente cairia bem nesse filme.

“Sssh....Não contem para ninguém que o filme é ruim, ok?”

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