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Para todos os lados

14.01.05

por Rodrigo Ortega

Chemical Brothers – Push the Button

(EMI, 2005)

Princípio Ativo:
Todos os possíveis

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“Olha aqui, eu não me importo com nomes e não quero saber que tipo de música você vai tocar hoje à noite, só quero me divertir. Não ligo pro seu cabelo espetado ou essa corrente dourada no seu pescoço, só peço que você me faça dançar até passar mal e depois chame uma ambulância pra me levar pra casa, ok?”. Os ingleses Tom Rowlands e Ed Simons, aka Chemical Brothers, ganham a vida satisfazendo esse tipo de pedido, em trabalhos como Push the Button, quinto álbum da dupla.

O fim dos anos 90 e do auge do big beat, que rendeu memoráveis hits como “Setting Sun”, “Hey boy hey girl” e “Block Rockin’ Beats”, abriu caminho para os Chemical Brothers passearem ainda mais livremente por qualquer terreno musical que faça nossos esqueletos se mexerem. Samplers, guitarras, teclados, sintetizadores psicodelia, batidas de funk, house, hip hop, tudo prestes a explodir, basta que eles... apertem o botão!

“Don’t hold back/ my finger is on the button”, ameaça o rapper Q-Tip na primeira faixa e single, “Galvanize”. Parece que a ameaça está sendo levada a sério, dado que a canção com mais de seis minutos galga velozmente as paradas britânicas.

A colaboração do rock inglês com os Chemical Brothers é garantida pelo velho amigo Tim Burguess, vocalista dos Charlatans, em “The Boxer” e as novas sensações britânicas Kele Okereke, líder do Bloc Party, em “Believe” e a banda Magic Number, em “Close your eyes”.

O épico house “Believe”, bem comandado por Okereke, proporciona os momentos mais empolgantes de Push the Button, e ainda é emendado à bela “Hold Tight London”, com o inebriante vocal de Anna-Lynne Williams, da banda inglesa Trespassers William.

Outro hit em potencial é “Come Inside". As perguntas “Would you like to come in now?/ Would you like to come inside?” são sérias candidatas a se repetirem infinitas vezes nas pistas em 2005.

A psicodelia dos irmãos químicos marca presença principalmente em “Big Jump” e na faixa de encerramento, “Surface to air”, com mais de sete minutos daqueles barulhinhos que grudam na sua pele e demoram dias para sair.

“Shake break bounce” parece um remix de Jorge Ben e “Close your eyes”, com os Magic Numbers, tem uma doçura inédita. “Left Right” tem versos que podem ser usados pelo exército das pessoas legais na guerra contra o tédio (“All my soldiers, marching with me!”) e uma semelhança surpreendente com raps do Eminem. Pensando bem, nada de surpreendente para uma dupla comprometida apenas com a nossa justa necessidade de dançar loucamente.

Ed dá uns tragos enquanto seu irmão químico Tom se protege em seu casaquinho

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