Busca

»»

Cadastro



»» enviar

O quarto ano do resto da vida de Harry

22.11.05

por Daniel Oliveira

Harry Potter e o cálice de fogo

(Harry Potter and the goblet of fire, EUA, 2005)

Dir.: Mike Newell
Elenco: Daniel Radcliffe, Rupert Grint, Emma Watson, Robbie Coltrane, Ralph Fiennes, Michael Gambon, Brendan Gleeson, Alan Rickman

Princípio Ativo:
Adolescência mágica

receite essa matéria para um amigo

Todos devem se lembrar do enorme salto de qualidade do primeiro para o segundo filme dos “X Men”. Por mais que o orçamento “generoso” tenha feito diferença, o triunfo da seqüência mutante era não ter que apresentar um monte de personagens e tramas complexos, partindo logo para uma trama envolvente e bem amarrada que dava de dez a zero no anterior.

É o que se percebe em “Harry Potter e o cálice de fogo”. Depois de três filmes em que enigmas e aventura eram mera desculpa para introduzir a complicada história do bruxinho e seus vários personagens, o quarto longa entra de vez no verdadeiro (e assustador) embate da história: Potter (Daniel Radcliffe) e o maligno Lorde Voldemort (Ralph Fiennes, de “O jardineiro fiel”, quase irreconhecível), que assassinou seus pais.

Nesse ano em Hogwarts, o protagonista é envolvido no torneio Tribruxo, apesar de estar a três anos da idade mínima para participação. A competição agremia três escolas de bruxaria em torno de três tarefas. Ela é sediada no colégio de Harry e seu nome é sorteado pelo tal cálice de fogo, sem que ele o tenha colocado lá. Para piorar, Potter tem estranhos pesadelos com o reaparecimento de Você-sabe-quem.

Em “O cálice de fogo”, o protagonista e seus colegas – em especial o atrapalhado Rony (Rupert Grint) e Hermione (a gracinha Emma Watson) – começam a descobrir as agruras da adolescência. Como em um filme colegial dos anos 80 – com direito a gincanas e bailes – o diretor Mike Newell (Quatro casamentos e um funeral) extrai o melhor do humor e da inocência dessa fase, pela qual todos passamos e nos identificamos. Como na aula de Severo Snape (Alan Rickman), em que Harry e Rony sofrem com o desajeito com as garotas, ou no baile de inverno, quando Hermione não sabe lidar com estranhos sentimentos pelo melhor amigo.

O primeiro diretor inglês da série também faz diferença. Esse parece ser o primeiro longa de Potter com cenas de humor não-infantis. Newell transpõe com maior naturalidade a ambientação e os diálogos de J.K. Rowling. Ele é ajudado pelo trio de jovens protagonistas que, assim como as tramas e seus personagens, estão amadurecendo e provam que podem se tornar grandes atores, para além do sucesso da saga mágica.

“Harry Potter e o cálice de fogo” acrescenta aos belos figurinos e cenários dos longas anteriores aventura, drama e romance bem amarrados, o que Alfonso Cuarón havia começado n’O prisioneiro de Azkaban”. Alguns problemas são sentidos – como o rápido (demais) torneio de quadribol, no início do filme, e a estranha sensação de que não se passou um ano durante a história, provavelmente devido ao enxugamento do livro. Algo que, ao se notar a melhora cronológica da série, não impede o público de roer as unhas – como bons adolescentes - esperando o que nos reserva o próximo capítulo.

Adolescentes em crise: bem melhor que Malhação...

» leia/escreva comentários (4)