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Uma nova mulher!

22.01.05

por Braulio Lorentz

Jennifer Lopez - Rebirth

(Epic Records, 2005)

Top 3: “I, Love”, “Hold You Down” e “(Can´t Believe) This Is Me”.

Princípio Ativo:
Oooow, ooow!

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A irregularidade anda de mãos dadas com a carreira multimídia de Jennifer Lopez. Filmes, apresentações no Grammy ao lado do marido Marc Anthony, clipes, discos: tudo faz sentido na trajetória desta estrela (cadente) latina. O meteoro Lopez não hesita em requebrar sua famosa cauda sob o olhar curioso de internautas (“If you had my love”), sob o sol escaldante (“Love don´t cost a thing”), sob flocos de neve (“All I have”) e até sob suspeita de plágio descarado do filme “Flashdance” (“I´m Glad”). Entre hits e fiascos, bilheterias estratosféricas e filmes sem sucesso, a cantora resolveu, ao menos em tese, mudar de rumo.

J.Lo anda dizendo por aí que não quer mais ser chamada de J.Lo. Para se ter uma idéia, “Call me Jennifer” era o título provisório de Rebirth. Mesmo com a troca de produtores e com todo o alarde feito por J.Lo, estamos diante de mais um daqueles renascimentos de meia tigela. Do hip hop sem graça do raquítico primeiro single “Get right” à balada breguinha “(Can´t Believe) This Is Me”, J.Lo continua a mesma, por mais que tente provar o contrário.

Com uma quantidade absurda de “ow, ow, ow´s” por segundo, parece que o atual produtor de Jennifer quer vencer o ouvinte pelo cansaço. A tentativa de Rich Harrison, produtor e compositor da ótima “Crazy In Love”, de Beyonce Knowles, não dá certo. Ainda assim, Harrison é uma boa escolha, principalmente se levarmos em conta quem assinava os álbuns anteriores.

Agora eu faço uma pausa. É um tempinho para você pegar um pedaço de papel e uma caneta. Pronto? Anote este nome: Rick Wake. Nunca compre um CD com essas duas palavras estampadas na contracapa com os dizeres “Produzido por” as antecedendo. Os motivos são os ruídos emitidos por Celine Dion, Anastacia, Mariah Carey e Jessica Simpson, todos arquitetados por Wake. Ruídos que vendem milhões, diga-se de passagem. A dona do traseiro mais cobiçado dos Estados Unidos, por exemplo, vendeu 35 milhões de cópias de seus três primeiros discos.

“I, Love”, a melhor deste quarto CD, tem uma inocência que quase cativa. Se não fosse ruim de doer, até seria uma boa canção. “Hold You Down” é mais uma com o esquema rapper-diva. Faça desde já uma contagem regressiva para vermos J.Lo e Fat Joe nas paradas. “Step into my world, Uh-huh, yeah, yeah, Whooaaaa”, convida Lopez na outra pérola musical “Step into my world”.

Fique longe principalmente de “I Got You”, uma das faixas mais irritantes cantadas por alguém com corda vocal. Toda essa ruindade me faz lembrar daquele velho ditado, “em terra de peitos, quem tem bunda é popstar”.

Depois de tantos insultos, nada melhor do que um abraço

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