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O exorcista: o (quase) final

02.12.05

por Daniel Oliveira

O exorcismo de Emily Rose

(The exorcism of Emily Rose, EUA, 2005)

Dir.: Scott Derrickson
Elenco: Laura Linney, Tom Wilkinson, Jennifer Carpenter, Campbell Scott, Shohreh Aghdashloo

Princípio Ativo:
Linney & Lúcifer

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No início de “O exorcismo de Emily Rose”, somos avisados de que o que se passa a seguir é baseado em fatos reais. Porém, em seu discurso final ao Tribunal do Júri, Erin Brunner, a advogada interpretada por Laura Linney (Kinsey), diz que nada do que foi dito ali pode ser considerado fato. Porque fatos não deixam margens para possibilidades. Possibilidades como: Emily Rose foi realmente possuída? Seu remédio para epilepsia impediu o exorcismo?

O filme acompanha o julgamento do padre Richard Moore (Tom Wilkinson, de “Batman begins”), acusado de negligência ao exorcizar a jovem Emily Rose (Jennifer Carpenter). A ambiciosa e agnóstica Erin Brunner é contratada pela arquidiocese, devendo usar “verdades científicas” na defesa do sacerdote e afastar dos jornais o sensacionalismo de exorcismos e demônios. A advogada terá suas crenças e princípios (ou a falta deles) questionados ao confrontar o padre e seu misterioso caso.

Ao invés de apoiar “O exorcismo de Emily Rose” em sustos baratos, o diretor quase-novato Scott Derrickson centra a história em conflitos pertinentes – fé e ceticismo, religião e ciência – e no desenvolvimento de seus personagens. Não que o terror não esteja lá: a cena do exorcismo é perturbadora. Ou quando Emily tem alucinações na faculdade e, ao sair do prédio, luzes assustadoramente verticais e vermelhas indicam a presença de algo não “natural”.

Enquanto o promotor (Campbell Scott) se diz um “homem de fé”, Erin se declara “uma mulher de dúvidas”, frente aos estranhos acontecimentos durante o caso. É a ótima atuação de Laura Linney, atriz talentosa e com um bom agente – raramente faz um filme ou um papel meia-boca - que possiblita a identificação do público. Assim como a personagem, ele tem sua fé questionada, já que a versão médica defendida pela promotoria é bem mais plausível. Linney é acompanhada pelo também talentoso Wilkinson - uma dupla de peso, que impede o longa de cair na mediocridade.

O filme une dois grandes clichês – o drama de tribunal e o “thriller sobrenatural”. E com a direção e trilha pouco inspiradas, a obra se resume a um bom trabalho de elenco – que, como dito acima, não decepciona. O final moralista de Erin pode desagradar alguns, mas com certeza faz você pensar um pouco ao sair da sala. “O exorcismo de Emily Rose” não se compara ao ícone do gênero, “O exorcista” de 1973, mas é bem melhor que bobagens como “O exorcista: o início”, feitas hoje em dia.

A bela e talentosa Linney tem que apelar para o “Vade retro!”

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