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O sexo frágil e os sapatos

09.12.05

por Daniel Oliveira

Em seu lugar

(In her shoes, EUA, 2005)

Dir.: Curtis Hanson
Elenco: Toni Collette, Cameron Diaz, Shirley Maclaine

Princípio Ativo:
Toni Collette

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“Em seu lugar” gira em torno de duas irmãs. Vejamos o filme do ponto de vista de cada uma delas:

Rose Feller (Toni Collette): Típica advogada balzaquiana, cheia de neuroses com o peso e a aparência – uma Bridget Jones menos espalhafatosa. Tem uma coleção enorme de sapatos que nunca usa, a não ser quando quer “fazer um mimo” a si mesma. Depois de flagrar o namorado com a irmã mais nova – uma irresponsável, de quem ela tomou conta desde a morte da mãe – ela entra em crise e sai do emprego, passando a tomar conta de cachorros.

Rose tem cenas ótimas – como a que ela tira uma foto do novo namorado, enquanto ele dorme, para mostrar mais tarde à amiga. Ou quando ela leva um bolo dele, em uma viagem para Chicago, e com o uso de uma câmera subjetiva, o diretor Curtis Hanson (8 mile – Rua das ilusões) mostra que Rose percebe isso pelo sapato diferente que a espera no carro.

Sapatos, aliás, são recorrentes no filme – vide o título original - como metáfora para as transformações das personagens. Ao largar o emprego, Rose abandona os sapatos fechados e passa a usar tênis, por exemplo. Quando se sente insegura ao ir a uma festa de casamento, seu salto está quebrado. Nada de novo: Carrie Bradshaw já havia explicado a importância de um sapato na vida de uma mulher.

Dica para ela: reze para a morte de Nicole Kidman ou Cate Blanchett. Não é justo que elas fiquem com os melhores papéis só porque são mais bonitas, enquanto você encara uns filmes água-com-açúcar que nem esse!

Maggie Feller (Cameron Diaz): Irresponsável, cleptomaníaca, sexy e ignorante, ela não tem a mínima idéia do que quer da vida. Mora com a irmã e se esbalda com os sapatos que a outra nunca usa. Depois de uma briga, Maggie seduz o namorado da irmã, é flagrada e expulsa. Sem onde cair morta, ela bota um All Star velho no pé e vai atrás da vó (Shirley Maclaine)que ela não conhece, em Miami.

Cameron, mais uma vez, não vai além do estereótipo dela mesma, abusando dos sorrisos cativantes nas horas menos oportunas. Suas cenas cômicas são constrangedoras, comparadas com a sutileza das de Collette – também devido à mão errada de Curtis Hanson. Até a trilha sonora nas suas cenas dramáticas é clichê. Maclaine aproveita a oportunidade e rouba grande parte das cenas de Cameron Diaz. Tanto no humor – ao tentar se aproximar da neta, usando “Sex and the city” – quanto no drama – quando a pega procurando dinheiro em suas gavetas. Rindo de si mesma, ao encarar com dignidade as piadas com os velhinhos do “asilo-resort” onde mora, ela torna a transformação da personagem de Diaz menos sem sal e monótona.

Dica para Cameron: se o negócio era provar que é atriz de verdade, você devia ter engordado uns quilos e encarado o papel da Rose! Era muito melhor! E, de quebra, ainda podia levar um Oscar pra casa - eles adoram quando uma atriz fica mais feia para um papel ;p

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