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Pato ao molho de maracujá

18.12.05

por Braulio Lorentz

James Blunt – Back to Bedlam

(Warner, 2005)

Top 3: “High”, “You’re Beautiful” e “Tears and Rain”.

Princípio Ativo:
Maracujá

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Siga a receita de como preparar o seu James Blunt:

- Misture uma lata de leite condensado com uma lata de Simply Red.

Faça isso ao som de “Out of my mind”, a pior do CD de estréia do cantor inglês James Blunt. Emular Simply Red e ser legal são características impossíveis de se ter ao mesmo tempo. Pena que a faixa “So Long Jimmy” cometa a mesma falha inafiançável de parecer simplesmente vermelho.

- Acrescente raspas de chocolate meio amargo e raspas de Bob Dylan.

Não é apenas a voz de Patolino do James Blunt que se parece com a voz de Pato Donald do Bod Dylan. Blunt é um aprendiz de Dylan, com violão e baladas cortantes. A bela “Tears and Rain” deixa um gosto amargo e melancólico no ouvido. Ela é tudo o que “Lágrimas e chuva” do Kid Abelha tenta ser.

- Acrescente 1/2 xícara de suco de maracujá concentrado. Leve à geladeira. Pegue um copo de água gelada para limpar seu paladar.

“And so it is/ The colder water/ The blower's daughter”, canta Damien Rice, outro aprendiz de Dylan. Em comum com Blunt, o irlandês também faz músicas bonitas e muito calminhas. Só que Rice não é um pato com molho de maracujá.

Ele é o responsável pela terceira melhor piada da MPB em 2005. Depois do iPod da Maria Rita, da modernice do DJavan, fomos contemplados com uma dupla-versão de “The blower's daughter”. O “And so it is” do parágrafo anterior virou “Então me diz” na voz de Simone e “É isso aí” na de Ana Carolina.

- Acrescente duas xícaras de açúcar e uma colher de sopa de Coldplay.

James Blunt estava no programa Top of the Pops quando o vi pela primeira vez. “Nossa, mas ele tem a carinha do Chris Martin!”, disse minha namorada. Não é só o rosto que se parece, a música que abre o álbum também. “High” poderia estar no repertório do Coldplay. Porém, Blunt tocou a viciante e fofa “You’re Beautiful” naquele Top of the Pops.

- Acrescente duas xícaras de lágrimas. Leve à guerra de Kosovo.

Blunt é ex-militar do exército britânico, esteve na Guerra de Kosovo, largou as armas e pegou o violão. Já tinha escrito algumas letras nos tempos da guerra. Perambulou por festivais até ser descoberto e gravar as dez composições de Back to Bedlam.

A história é muito boa. Mas no quesito música, este CD tem gosto enjoativo. São cinco boas canções diluídas em uma receita de cozinheiro que errou a mão. Difícil de entender, já que o produtor Tom Rothrock (Beck, Elliot Smith e Badly Drawn Boy) costuma acertar a dosagem.

- Leve à geladeira de novo. Provavelmente a receita desandou.

Está pronto o seu James Blunt. Sirva-se.

Blunt finalmente achou o seu lugar ao sol

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