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Coelho ao molho de papelão

30.12.05

por Rodrigo Campanella

Os Produtores

(EUA/2005)

Dir.: Susan Stroman
Elenco: Nathan Lane, Matthew Broderick, Uma Thurman, Will Ferrell

Princípio Ativo:
freaking MTV

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“Os Produtores” é a prova cabal de que se você trabalha com reciclagem, bem-vindo, seu lugar é Hollywood. Seja reaproveitando velhos materiais ou novos resíduos, sempre é possível extrair mais verdinhas daquilo que estava praticamente esquecido. Às vezes até um pouco de arte dá as caras pelo caminho. Mas não necessariamente.

Desde sempre o cinemão foi leitor assíduo de best-sellers e, recentemente, passou suas sessões da tarde mergulhado no terror japonês. O diferencial d’Os Produtores é apostar na reciclagem na era do hipertexto. O nome por trás de tudo é Mel Brooks (O Jovem Frankenstein). Em 1968, ele escreveu e dirigiu The Producers, o filme. Mais de trinta anos depois, resolveu adaptar a história para um musical da Broadway. O que vem às telas agora é a versão cinematográfica da peça musical, com grande parte do elenco e a diretora mantidos os mesmos. Isso talvez explique o lugar um tanto deslocado de Uma Thurman (Be Cool) no filme. Não pertencente à peça, sua entrada foi ‘recomendada’ pelo estúdio, de olho num público jovem.

Tudo tem início quando o contador Leo Bloom (Broderick, abobalhado além da conta) comenta com o furtivo produtor teatral Max Bialystock (Lane) que um grande fracasso de bilheteria poderia render mais dinheiro que um sucesso. Juntos, os dois partem em busca do grande fracasso com o texto nazi-ufanista "Primavera para Hitler" e pior diretor disponível no mercado. Entretanto, a peça acaba se tornando um estrondoso sucesso.

Hollywood parece viciada em produzir esse tipo de crítica com açúcar da própria sociedade americana, em que toda sujeira acaba sambada em carnaval e os aparentemente canalhas acabam mostrando-se com as melhores intenções. Também uma reciclagem. O filme promete no começo algo da malícia e da ternura de “Se meu apartamento falasse”, de Billy Wilder e pode fazer algum desavisado gritar dentro da própria cabeça “comédias dos anos 60!!!”. Não é nada disso, mas as gargalhadas durante a primeira hora de projeção são ótimas.

Porém comédias antigas já não são o top do pop faz tempo. O filme acaba entrando numa correria musical desenfreada na qual não sobra tempo para respirar e faz pensar onde ficou aquela cena inicial tão perfeita no escritório. Todo o excesso que Brooks usa como espada e ungüento ao mesmo tempo parece derramado no andamento do filme. O cansaço ao fim é tremendo. Talvez por isso, o grande destaque do filme seja Nathan Lane. Com calma e malícia, ele domina a tela a cada entrada e vira o eixo de um filme divertido mas descarrilhado nos trilhos.

...e essa é a parte que eu sei fazer sem a espada!

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